sábado, 7 de novembro de 2015

Post#53 - Loucuras de amor (cont.) - "Nunca vi um avião, e é tão grande!"

Ora bem, cheguei ao meu destino. Depois de uma visita curta voltei para o ativo, mas tinha que registar a viagem que fiz pois foi sem dúvida inesperada.

Falei no último post sobre loucuras de amor... achando eu que uma viagem de ida e volta em poucos dias era loucura. Nesta viagem de regresso, tive a impressão que o meu gesto foi menos impactante.

Vejamos...

Estava eu a despachar a mala, quando duas senhoras (visivelmente atrapalhadas), me abordaram perguntando se eu ia para o Brasil. Com certeza que ia... estava no despacho de bagagem que dizia São Paulo! A princípio pensei que me iam pedir para despachar alguma coisa delas. Logo preparei o meu "NÃO", porque nos dias que correm, não dá para confiar em nada, nem mesmo quando as pessoas aparentam ser humildes. Mas na verdade o que queriam era uma ajuda, pois uma delas ia viajar a primeira vez na vida para fora do país, primeira vez de avião... e logo para o Brasil!

Meio desconfiada lá optei por ajudar, mal sabia eu no que me ia meter...

Depois das últimas despedidas (sempre difíceis), e da minha mãe me meter uns xanax no bolso, não fosse a senhora ter algum surto, lá parti para as mil e uma verificações feitas nos aeroportos... eu e a D. Maria de Lurdes, uma senhora nos seus 50 anos que parecia mais assustada que qualquer outra pessoa naquele aeroporto. Passámos o raio X, a verificação do passaporte e chegámos à porta de embarque. Ainda não estava na hora, por isso ficámos sentadas e eu tentei acalmá-la um pouco. Disse-lhe que andar de avião não custava nada, nem à primeira, e que eu já fazia este percurso há 3 anos (grande coisa, pensei só depois!). Ela foi se acalmando e depois olhou pela janela e disse-me assim: "Nunca vi um avião na vida... e é tão grande!". Achei bizarro mas muito honesto da parte dela, não só pela informação em si, mas pela maneira como ela disse aquilo. Então só nesta altura é que estabeleci um carinho pela D. Maria. Daqui para a frente foi só surpresas. 

Descobri que a D. Maria de Lurdes ia passar uns tempos com uma das filhas que vivia há 3 anos no Brasil e que tinha 29 anos como eu. Essa filha viveu 10 anos em Londres onde entretanto conheceu o marido (brasileiro) e mudou-se para Londrina. Recentemente descobriu um tumor cerebral que lhe dá ataques epiléticos e pediu à mãe para vir passar uns tempos cá pois tem uma filhinha de 2 anos. A D. Maria nem pensou duas vezes. Largou  o marido e duas filhas mais novas, bem como a casa na Póvoa de Lanhoso e os campos que cultiva e lançou-se para o Brasil.

Nisto entramos no avião e cada uma foi para a sua cadeira. Foi um voo tranquilo e nem tive contato com ela, pois incumbi o hospedeiro de tratar muito bem dela, já que eu estava na outra ponta do avião.

Após a chegada é que foram elas... 
  • Primeiro: a D. Maria estava a passar na polícia e calhou de dizer que ia ficar 6 mesinhos com a filha... ora como turista o máximo que se pode ficar por aqui são 90 dias e olhe lá... o pessoal da alfândega já não foi nada simpática e assustou a pobre da mulher dizendo que tinha que pagar multa. Lá a acalmei... no final das contas era só regressar a casa mais cedo e ia ter que mudar a viagem.
  • Segundo: a senhora resolveu viajar sem um real na carteira e só os 30€ que teria que trocar em algum banco para pagar ao suposto taxista que a sobrinha tinha contratado pela internet para a ir buscar e levar ao hotel. Claro que esse taxista nunca apareceu! Ficamos duas horas à procura, e ainda escrevi um papel (que até envio em foto abaixo) com o nome da Senhora, para tentamos achar o homem... sem sucesso!
  • Terceiro: tentativa de troca de euros na casa de câmbio... claro que não funcionou, porque simplesmente 30€ era quase o valor da taxa que se paga pelo serviço de conversão. Lá saquei uns reais e troquei-lhe pelos euros.
  • Quarto: tentativa de contacto com a filha... sem saber mexer no telemóvel a D. Maria pediu-me para lhe ligar do telemóvel dela à filha que estava em Portugal para tentarmos achar o contacto desse bendito taxista. Só que a senhora tinha saldo reduzido no telemóvel e não conseguimos grandes informações.
Depois de uns quilómetros queimados no aeroporto, lá a convenci a apanhar o táxi comigo para que eu a deixasse no hotel e simplesmente aceitar o fato de que esse taxista não ia aparecer!
Chegada ao hotel... a reserva que ela trazia impressa do booking e feita pela sobrinha, foi quase impossível de encontrar pela recepção e também não estava paga... ou seja os poucos reais que tinha no bolso, ela teve que investir para deixar meia reserva paga.  A irmã ia chegar no dia seguinte (espero!) para partirem para Londrina e reencontrarem a tão esperada filha da D. Maria.

Pedi para a levarem ao quarto e a ajudarem, porque claramente não ia conseguir enfiar a chave de cartão na porta do quarto e ia se perder totalmente no meio do hotel. Deixei o meu cartão com o telefone e mandei uma mensagem à filha que estava em Portugal para que ela lhe carregasse o telemóvel e lhe ligasse.

Saí do hotel com um nó no coração e pensei que às vezes quando pensamos que a nossa vida é atribulada, vem alguém que nos mostra que é tudo uma questão de perspectivas.
A simplicidade está nos pequenos gestos de coragem. Cada um atravessa o Atlântico com as suas razões... Uns para passar um aniversário importante, outros sem dinheiro nem mínima destreza para tratar da filha doente... 
Agora digam-me... isto não é uma loucura de amor?

(este foi o papel com que corri Guarulhos para ver se encontrava o bendito homem que ia buscar a D. Maria. Sem sucesso, apenas andei distraída por 2 horas a vaguear procurando alguém que provavelmente nem existe!)


Vi esta frase hoje no Pinterest e achei boa para partilhar neste post também :)

sábado, 29 de agosto de 2015

Post #51 - Asilo ou deportação?

Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].
Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].


 e·mi·gran·te
(latim emigrans, -antis)
adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros
Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro.


e·mi·gran·te
(latim emigrans, -antis)

adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros

Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro.
Confrontar: imigrante.

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].
e·mi·gran·te
(latim emigrans, -antis)

adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros

Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro.
Confrontar: imigrante.

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].
Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].

Um assunto da atualidade é a emigração. Não podia deixar de escrever sobre este assunto, não fosse exatamente "eu" o que chamam de caso de estudo.

A minha condição de emigração é bem superior à destas pessoas que ultimamente têm sido barradas de entrar na Europa, quando não mortas a caminho do destino.
A questão é: será que todos não procuramos pela mesma coisa? Paz e estabilidade. Se eu saí de um país, que embora em crise, é um país civilizado, sem acontecimentos bizarros, imagino o quanto eu não gostaria de sair de um país onde queimassem as mulheres infiéis vivas, onde colocassem os vídeos de pessoas a serem mortas no YouTube, onde sair à rua pode significar ser morto... Eu não ia ficar num lugar assim.

O jornal diz-me que este ano a previsão é de 270.000 entradas na Europa até agora. Já foi ultrapassado o número de entradas do ano de 2014 fechado. A média é de 1 imigrante para cada 1.900 europeus. Considerando que a cidade onde cresci tem 40.000 habitantes realmente é preocupante...

É uma questão muito delicada... Sim a Europa prega-se como uma civilização comprometida no abrigo das pessoas refugiadas, e sim a Europa é um dos locais mais estáveis para se viver no mundo, e sim a Europa tem uma política de imigração bastante condescendente. Mas a Europa é obrigada a receber todos? 

Bom, a Europa precisa de gente nova. A população está envelhecida e a população que trabalha tem vindo a diminuir. Esta onda de entrada pode ser uma reversão para este problema. Mas a Europa é constituída por diversos países em que cada um tem as suas leis. Existe uma política comum, e todos têm que cumprir determinadas regras, mas cada país tem alguma liberdade para estabelecer as suas regras também. Por exemplo à Dinamarca esta política não é aplicável e o Reino Unido e Irlanda estabelecem as regras de imigração europeias que querem implementar ou não. É uma grande confusão. Mas enfim mais detalhes no site da união europeia (aqui).

Os estudos (segundo os jornais) dizem que em geral os imigrantes não são as pessoas que cometem mais crimes. Ao contrário. Quando ajudados "pelo sistema" são pessoas que criam empresas, trabalham e geram riqueza. Compreende-se... saem de um local onde são mal tratados e chegam a um local onde querem prosperar. Eu sou suspeita para falar... Mas a Europa terá trabalho. Há que criar estrutura, escolas para compensar o "gap" de conhecimento, ensinar a língua, centros de recuperação psicológica para crianças e adultos que vêm com traumas de serem refugiados etc., etc. Tem também a dificuldade geográfica, pois a maioria dos imigrantes entram pelos países que neste momento não podem acolher nem os próprios quanto mais os outros (Grécia por exemplo). E ainda a preocupação do terrorismo, que tem andado tão na baila... é preciso um trabalho redobrado na segurança.

Claro que este rolo todo só se aplica a emigrantes não europeus, porque para os Europeus a Europa já trabalhou (e muito bem) nas regras fronteiriças com o Acordo de Schengen. É ótimo podermos viajar de Ryanair para todo o lado sem nos pedirem quase nenhuma informação... Mas se formos não europeus a coisa muda de figura. Vistos, identidades e papeladas mil são pedidas. Já assisti a várias cenas em aeroportos, especialmente quando volto para a Europa de férias, em que comigo viajam outras pessoas que não tiveram a mesma sorte de nascer no "berço de ouro".

Da minha experiência nada tenho a reclamar. Sou emigrante na América do Sul. Nunca fui barrada de entrar, mas sempre apanho a fila dos emigrantes na entrada. De vez em quando perguntam-me uma ou outra coisa, mas nada constrangedor. Pago os meus impostos ao país que me acolheu (nem sempre caem nos bolsos certos, mas enfim isso são outras questões), tento ser uma cidadã com exemplo a dar e uso dos conhecimentos "europeus" para tentar ajudar no que me é possível. Modéstia à parte, eu acredito que sou uma boa contribuição para o país que me acolheu. Acho honestamente que muitas das pessoas que estão a tentar entrar na Europa sentirão o mesmo. Simplesmente não tiveram as oportunidades que precisavam no país que as viu nascer. Talvez como eu... É junto expulsar ou deportá-los, ou limitar as suas entradas?

Maioria de todos já "migrou" pelo menos de cidade, à procura de uma condição melhor, estabilidade, trabalho, enfim... Quais os limites? Quais as regras? Difícil...

Aconselho um filme francês que vi há pouco tempo, chama-se SAMBA (https://www.youtube.com/watch?v=i3mHgMsHvUM). É realmente muito bom e deixou-me a pensar nestes assuntos.

Prometo mais notícias em breve.


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Post #50 - o dia da digital



O departamento de estrangeiros da polícia federal é um lugar de grande mistura cultural.  Como não podia deixar de ser ouvem-se mil línguas diferentes e tem lista de espera de uma ponta a outra do planeta. Existem os "facilitadores" (sem conotação negativa) que são contratados pelos próprios estrangeiros e que ajudam um e outro estrangeiro a preencher papéis ou a traduzir informações simples como se a pessoa é solteira ou casada, ou tentam decifrar o endereço. Profissaozinha difícil a de entender os nomes dos japoneses que estão a par comigo na lista de espera e pior que isso gritar a alto e bom som para ver se a pessoa está presente. Alguns dos estrangeiros assustam-se ou fazem cara feia, tentando decifrar se o nome dito é efetivamente o deles. Graças à boa tecnologia, o Gogle translator também tem um papel importante por aqui. Alguns tablets da emigrantada têm uma utilidade fenomenal!  Aqui todos sentam nas mesmas cadeiras empoeiradas. Tem o executivo suíço com a esposa impecavelmente vestida a par com os dois filhos de cabelo praticamente branco de tão loiro. Tem os dois espanhóis que provavelmente estavam sem trabalho e vieram para cá, família da Etiópia que não fala uma palavra de português e a quem estão tentando extrair o endereço de tampávamos... E por aí vai.  O processo é lento... Burocrático. O staff da polícia federal é bem rude e conversa pouco ou nada com os estrangeiros. Eu estranho isso, dada a a natureza dos brasileiros. Mas acredito que seja um local de trabalho tenso.  Ainda troco um olhar com a esposa Suíça que se diverte tal como eu a otimizar mentalmente o processo. Seria tão mais fácil com umas senhas digitais e sem esta dança das cadeiras. Sempre que chamam uma pessoa todas se levantam para andar mais uma cadeira. Ele ri-se para mim também divertida.  "TAKASHI ISHIKAWA... T-A-K-A-S-H-I!!" O nome anuncia que eu sou a próxima. Hora de passar os dedos nas telas digitais... Um por um. Três anos e três meses depois precisamente! Sou mais uma neste bolo misturado de raças por São Paulo! Agora oficialmente residente!Vamos lá sujar os dedos.. Agora não me safo!Até já!

domingo, 3 de maio de 2015

Post #49 - 3 anos de Brasil "to be or not to be"

Ontem completei 3 anos de Brasil. Uma vitória! Para quem veio com visto de 2 anos sem plano muito definido. E cá estou. depois de 3 anos, 10 anos mais velha e com bastantes coisas para contar aos netos. Quase 1100 dias depois trago debaixo do braço experiências únicas, como a conhecer pessoas doidas, pessoas divertidas, pessoas sérias (poucas, pois é difícil encontrar um brasileiros muito sisudos), depois de me envolver em projetos grandes, outros pequenos, me entranhar na cultura brasileira a todos os níveis e sem "frescuras". 3 anos sem um carro, onde acho que meti mais quilómetros nas pernas do que em quaisquer outros 3 anos da minha vida. E acreditem que vi e passei em lugares doidos. Meti na bagagem coisas que não conseguiria adquirir em Portugal (isso é certo!).

Mas de há uns tempos para cá, não há um dia em que não me depare com um brasileiro choroso do país em que vive. Juro que quase penso que estou em Portugal denovo!
A discussão e a insatisfação é grande. Ninguém quer a "presidenta" no governo, da mesma maneira que ninguém queria o Sócrates. Surgem até manifestações nas janelas batendo com panelas, nas ruas gritando "fora Dilma"

Começa a gerar-se a dúvida. Brasil estar ou não estar? Deixei Portugal à procura de alguma coisa que me fizesse bem. E encontrei. Muitos desafios e muitas dificuldades também. Não há um dia em que não aconteça alguma coisa nova. Tal é turbilhão de mudança que se vive por aqui.  Mas eu, como acho que todos os emigrantes, sempre tenho a impressão que um dia vou acordar e sentir "agora é hora de partir". Será que isso acontece mesmo? Até agora ainda não chegou esse dia, mas quem sabe esteja para chegar.





Estas foram tiradas há precisamente 3 anos... E já lá vão 3 anos!

Link para o meu primeiro post escrito de SAMPA. Já passaram bastantes coisas... http://marianamoreiradias.blogspot.com.br/2012/05/post-003-resumo-dos-primeiros-dez-dias.html

*Mari


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Post #48 Sem água, navegando na internet à chuva

Já é tarde. Estou sentada na sala de casa virada para a janela a ver a chuva cair. É chuva forte, como a daqueles dias de inverno rigorosos que temos em Portugal. A diferença é que aqui a temperatura vai alta e o vento abana as palmeiras que são bem mais comuns por estes lados do que do lado do jardim da Europa à beira mar plantado.
Agora o tempo está mais calmo, mas há umas horas fiquei presa nas enchentes que fecharam a Av. Santo Amaro. Não sem antes ter cruzado o shopping para ver qual o novo lugar para onde tínhamos que comprar um balde, por que os lugares onde entra água da chuva se multiplicam a cada dia. As infiltrações, quedas de telhado e árvores são constantes com a força das águas que vêm do céu. Aparecem crateras no meio das estrada por evasão de terra levada pela água, os semáforos deixam de funcionar, e as estradas são cortadas. Felizmente (até ver) a internet mantém-se!(bendito quem inventou o 3G e afins...)

Levanto-me para ir à cozinha deixar um prato sujo que estava solto em cima da mesa e aproveito para tentar lavá-lo. Mas... a torneira não pinga. Estamos sem água! A situação já era espectável... estamos em crise! A crise da água.

São Paulo está "mergulhada" numa crise de seca como nunca viveu. A população cresceu demais e as infraestruturas não acompanharam. O resultado está à vista. Lá fora tudo alagado. Cá dentro sem água. Uma vida bizarra.

Soluções poucas ou nenhumas. Toda a gente fala em poupar e reaproveitar, mas investimento para novas formas de reaproveitamento nenhum. Por aqui ainda se andam a pagar as contas do Natal que pesam no cartão de crédito. A facilidade do novo mundo onde uns sapatos podem ser comprados parcelados em doze vezes. Incentivos do governo para projetos de reaproveitamento? Nenhuns. Nem a própria empresa pública distribuidora de água parece muito coesa. Falo pelo pequeno contato que tenho como mini administradora de condomínio que (aparentemente) estou a aprender a ser. Um shopping é, sem dúvida uma pequena cidade, com manifestações tão parecidas a um município como sequer alguém possa pensar. No fim das contas é um trabalho duro o de "ministrar as obras públicas" do condomínio, mas que tem uma abrangência tão grande que me leva das lágrimas às risadas.

Voltando, dá-me dó ver um país com o potencial do Brasil a viver desta maneira. Se as coisas vão mudar? Acredito que sim, para melhor ou pior estaremos aqui para ver! O bom daqui? É que os brasileiros não estão a sofrer com isso como estaríamos nós Portugueses se estivéssemos dentro desta crise. Por aqui a liberdade de expressão não está em crise e já são incontáveis os cartoons relacionados com a causa. Até já se pensa em adiar o Carnaval...!



Deixo aqui um texto que achei bem interessante para quem quiser espiar o "fundo do poço" que se vive por aqui por aqui.

A recuperação do nível do Sistema Cantareira pode levar até 10 anos. Enquanto isso, a população vai continuar a crescer.

Prometo dar notícias em breve (com ou sem chuva).

*Mari

sábado, 17 de janeiro de 2015

Post #47 - "O" retorno/regresso

Depois de 6 meses sem escrever, resolvi voltar ao teclado. 
Eventos como copa do mundo, eleições, viagens para lá e para cá, tudo isto passado com muuuita aprendisagem, aqui vem "O retorno/regresso"! Precisamente no dia de novas manifestações contra aumento de tarifa de transporte público conforme o meu ultimo post aqui.

Hoje fui fazer uma visita a concorrência e na volta deparei-me com um cenário praticamente de guerra. Estava sussegadinha à espera do autocarro na paragem, quando de repente se começa a ouvir um barulho infernal de sirenes e um movimento "dos diabos". Passaram sem exagero uns 20 carros de polícia seguidos. Logo de seguida, policia de choque! Armados até aos dentes!!! "Mas o que se passa aqui?!" Um verdadeiro cenário de guerra! Posso dizer que em 28 aninhos de vida, quase 29, nunca tal cenário tinha visto ao vivo. A manifestação ía começar... a população jovem na rua era bem numerosa e alguns até estranhamente vestidos, mas realmente a quantidade de polícia era chocante. Como a massa crítica se juntou ali no cruzamento entre a Av. Paulista e a Consolação, o bus que me ia levar para casa (e que passava na Paulista) teve que desviar por uma paralela. Claro que o "show" se espalhava pelas ruas laterais e a polícia nem pensar no simples cidadão... logo estaciona o carro atravessar duas das três faixas da estrada! Um cenário bem caricato...
Enfim, tudo isto para concluir que passei duas horas dentro do "busão" como se diz por aqui (bem cheio por sinal). As conversas também eram engraçadas dentro do autocarro. Tinha pessoas que não estavam nem "ligadas" ao acontecimento, e honestamente não pareciam muito interessadas. Aparentemente só mais um dia de trânsito intenso com bastante calor à mistura. Estavam três senhores à minha frente a discutir sobre um travesti que tinha estado dentro do autocarro há duas paragens atrás (figura bizarra)! Mas a conversa era tão engraçada que eu e o controlador de passe (sim, aqui existe essa profissão!) tivemos que fazer um esforço para não desatar às gargalhadas. Nem se preocuparam com a restante fauna do autocarro que podia até estar incomodada com a conversa, mas não... Os brasileiros são realmente bem humorados e conseguem fazer brincadeira da mais pura das conversas. Às vezes "rezo" para que os portugueses um dia sejam mais alegres como os brasileiros. Seria bom ser oriunda de um país mais positivo de vez em quando... (Sim eu vi a entrevista do CR7 com o Marcelo Rebelo de Sousa! E embora o Ronaldo não diga grande coisa, nisto pelo menos ele acerta!) 
Mas embora sejamos mais pessimistas, somos também mais pacíficos... bem mais pacíficos! Este cenário de polícia de choque em grande massa é uma coisa que não estamos habituados (e ainda bem!). Não podia ser só pessimismo também!

Bom, era isto que queria partilhar. Para quem tiver interesse vai o link onde constam algumas fotos podem ver aqui no site da FOLHA de SÃO PAULO.

P.S. - Sem dramas, porque moro em zona "pacificada",  e isto aqui não tem guerra nenhuma OK? =D

domingo, 1 de junho de 2014

Post #46 - #ImaginaNaCopa

Bom estes últimos tempos foram tumultuados por estes lados. Cheios de manifestações de desagrado, muitas delas já para chamar atenção usando o fator copa como palco.

A maioria das pessoas por aqui está pessimista no que respeita a violência e manifestações na copa. Lê-se por aí escrito em todo o lado o  #imaginanacopa.

Felizmente na minha pacata vida aqui por Sampa, não tive (ainda) problemas com este tipo de insatisfação. Sigo de longe um ou outro caso, mas no meu dia a dia, o impacto mais significativo vai para as pessoas que trabalham no shopping. Alguns lojistas que não abrem por atrasos nas linhas de transportes públicos, fornecedores que não entregam mercadorias a tempo, e descontentamento... muito descontentamento. Mas neste lugarejo vivem  aproximadamente 20.000.000 de pessoas... eu sou apenas uma, das que ainda não teve repercussões com toda esta novela.

E, bom... hoje li um artigo interessante na FOLHA (jornal aqui da região) e resolvi escrever. O artigo tem como título Vai ter toldo e compara a copa a uma festa de casamento. A comparação parece estranha, mas tem fundamento. Toda a gente gasta o que tem e o que não tem para fazer sempre o casamento mais bonito do mundo. Mas há sempre alguma coisa que fica para ultima hora... DJ que ainda não instalou as caixas, meia hora antes de os convidados chegarem. Eu acho que é mesmo assim que se pensa por aqui. Os estádios estão ainda a ser terminados a uns dias do início, e as obras públicas nem sequer vão a tempo de ser terminadas. E depois tem-se a sensação que se gastou muito, mas afinal de contas, vai ser o momento mais importante da vida...

Faz-me lembrar um pouco Portugal na altura do Euro. Os rios de dinheiro que se gastaram com os estádios que agora andam a implorar para ser cheios, pois não se consegue pagar a manutenção.  E no final, Portugal nem ganhou. Mas o certo é que o mês de jogos foi dos mais interessantes que um país pode viver socialmente. O nosso país tão pequenino e cheio de gringos alemães, holandeses, franceses (aos montes, ora não fosse o mês dos emigrantes voltarem à terra para férias...). Mas no fundo acabou por correr bem. Os tugas acabaram por entender e aproveitar o que o futebol tem de melhor. O meu medo por cá é que os brasileiros, ainda mais revoltados com toda a situação (que diga-se de passagem é realmente mais crítica do que era em Portugal), sigam em frente com o boicote. 

Não sou contra manifestações especialmente se tiverem um fundamento. Mas as coisas estão a tornar-se extremas. Queimar autocarros, partir montras de loja e agencias bancárias não vai trazer o dinheiro de volta... ao contrário, só vai assustar os estrangeiros que para cá vêm com potencial de investimento. O que passou, passou e o passado não volta. Apurem-se os responsáveis e viva-se o presente aproveitando para mostrar ao mundo o país simpático e guerreiro que o Brasil é. 


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Post #45 - Partilhando informação sobre copa e Brasil

Duas coisas que tenho para partilhar:

1 - Vídeo que vai rolar na TV antes dos jogos da copa (bem giro)



2 - Artigo do Público "O Brasil é..."

http://www.publico.pt/multimedia/o-brasil-e


sábado, 3 de maio de 2014

Post #44 - Brasil, meu brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro

Dia 2/05/2014 fiz 2 anos como emigrante. Já dá para contar algumas histórias...é muita coisa. 

2 anos de muita vitalidade e vontade de viver e ser feliz.

Nada melhor do que uma musiquinha sobre esta terra pela qual é impossível alguém não se apaixonar... Esse Brasil lindo e trigueiro...meu Brasil brasileiro.



Aquarela Do Brasil" (musica de Ary Barroso)

Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...

Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...

Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...


Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
Brasil, samba que dá
Para o mundo se admirar

O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor...

Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Huuum!
Essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...

Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Huuum!
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...

Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...


Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...

Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...

Oi! Essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!

sábado, 19 de abril de 2014

Post #43 - O post dos 3 "C's" Carnaval Copa Cuiabá e ainda... Brasília


Bom há algum tempo que não escrevo, como tal vou tentar fazer um resuminho rápido do que tem sido a minha vida desde então.

O carnaval foi uma folia, como não podia deixar de ser por este lado. Fui para o Rio, onde fiquei e mais uns 12 ou 13 num apartamento. Foi bem divertido e ainda deu tempo para ganhar uma corzinha numa das praias mais bonita do mundo.





Em termos de trabalho, estes últimos tempos têm sido muito agitados. Nunca pensei que fosse possível encaixar tanta coisa em 24 horas como nestes dias. Com a alta circulação de pessoas aqui agora estou com uma pessoa a menos da equipa e isso faz com que o trabalho se multiplique. Fiz recentemente o curso da brigada de incêndio que me permitiu ganhar alguns conhecimentos de combate a incêndio. Segue a foto da nossa turminha.

Aqui vai também a nossa "selfie" para o dia da Terra (iniciativa da NASA)


O terceiro elemento lá de casa (Ruca) foi para Portugal restando agora só eu e o João. Mas como não podia faltar, fizemos um retrato de família que vos envio aqui também.


O aniversário foi o máximo. Melhor só com a família/amigos tugas por aqui. Mas fizeram-me uma recepção especial com direito a bolo e guloseimas. Ainda tive direito a umas sapatilhas vermelhas (bem a minha cara) e a companhia especial do meu ex-departamento que veio cá almoçar.

Quanto à Copa as coisas estão animadas. Claro que já não se fala noutra coisa e agora toda a gente se dedica à troca de cromos para a caderneta da copa. Eu consegui dois bilhetes, um para assistir um Bósnia-Nigéria (que jogo é esse?! mas era o que havia) e um outro para ir a Brasília assistir um jogo dos quartos de final onde Portugal tem hipótese de estar (espero que sim!).

Agora a parte mais dura. A partir de 1de Maio estou em fase de renovação do visto. Isso não significa grande coisa, mas tem dado uma grande confusão por cá pois é uma taxa muito cara e estou com dificuldade para que a minha entidade empregadora pague. 
Mas enfim, não será nada que não se resolva.

De resto mais nada de especial.Aguardo visitas de todos os interessados. =D

Não percam os próximos episódios pois a copa do mundo se aproxima.

*Mari

quarta-feira, 5 de março de 2014

Post #42 - alguém tem uma vida no rio para me dar?


Acordar assim todos os dias sim... Qualidade de vida =D 
Quando for velhinha quero passar o resto dos meus dias assim com está visão, fica já oficialmente decalarado!



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Post #41 Rolezinhos, veículo, visto e muuuito calor

Já ando para escrever há algum tempo, mas o tempo tem sido curto.

Algumas novidades para contar.

#1 - a moda do rolé
 Anda por aí uma nova moda chamada de Rolezinho! É um termo recente para mim embora a gente tenha uma expressão em Portugal bem parecida. O famoso "giro"... dar um giro! Os rolezinhos são encontros de jovens, inicialmente para convívio, mas agora transformados em forma de protesto.

Os temas de protesto são variadíssimos: desde descriminação e racismo, passando pelos movimentos Passe Livre e Movimento dos trabalhadores sem teto, e até Idosos agora ultimamente. O problema vem quando o movimento fica violento e... quando as coisas acontecem dentro de Shoppings... Bom felizmente trabalho num centro comercial pacífico, e sorte ou não não foi afetado. 

Agora os movimentos acalmaram, o que me deixa um pouco mais calma, mas foram noites mal dormidas, sempre a pensar quando ia ser chamada a depor ou a falar para a Globo!

#2 - Obtenção do primeiro veículo brasileiro
Grande momento da vida, quando se obtém o primeiro veículo numa cidade. A minha primeira bike em Sampa! A partir de um evento com tão boa fama em Portugal - organizado pelo World Bike Tour, o evento em Sampa foi o maior fracasso com montes de pessoas sem bike e uma mini onda de roubos. Felizmente cheguei cedo e consegui o meu veículo. Ainda não consegui queimar muitos km, mas vamos ver se nos próximos tempos lhe dou uso.



#3 - pular carnaval

Bom, a data mais importante do ano no Brasil está a chegar. Com ela a típica folia e alegria que se vive no Carnaval por estas bandas. Já fui a blocos pré carnaval e está toda a gente bem ansiosa pela dita semana de carnaval!
Eu também, não só pela visita ao Rio, e toda animação, mas também pelas férias que preciso muito!

#4 - quase dois anos de Brasil e uma renovação de visto para fazer

Pois, em Maio completo 2 aninhos de Brasil. Looongo período de coisas boas e más, mas sem dúvida de muito aprendizado.

#5 - Que calor é este em Janeiro?
 Ah, só finalizando, a onda de calor de verão foi forte, o que achei ótimo, dadas as minhas propriedades de sangue frio. Só a título de exemplo segue foto demonstrativa =D



Prometo mais notícias no pós carnaval.

**Mari