domingo, 26 de dezembro de 2021

Post #86 Salva(dor) da Bahia

Reparei ainda agora com o meu login que não escrevo aqui há dois anos. Isto significa que, tal como já sentia, a pandemia me fez trabalhar mais, mesmo com o chamado home office.

Mas trabalhos à parte, dois anos depois, com um pequeno alívio da pandemia consegui viajar por um fim de semana de Julho para um dos locais mais característicos do Brasil - Salvador na Bahia.

Esta foi uma viagem curta de um fim de semana com direito a muita chuva e a companhia especial da Marta que já não pisava no Brasil há algum tempo.

Salvador foi e é uma cidade importante para a nação Brasileira. Foi a primeira capital do Brasil (proclamada pelos portugueses no século XVI), e é palco de um dos melhores carnavais do mundo, bem como das melhores gastronomias, arquiteturas, festas e com maior diversidade cultural do Brasil. Tem religiões que nunca ouvi falar, embora o nome Salvador vem de Jesus Cristo "Salvador". Também é uma cidade sofrida e marcada por várias revoltas e guerrilhas, já foi invadida por portugueses, holandeses, já teve revolta dos escravos (revolta dos malês), e diversas rebeliões contra o estado (como a Revolta da Farinha em 1858.

Esta foi a primeira vez que fui a Salvador, mas pelo que me parece a pandemia derrubou muito do brilho que a cidade já teve. A falta de turistas abandonou muitas áreas e hoje a parte histórica da cidade encontra-se muito degradada. A desigualdade social é muito visível e, para quem passeia pelo centro, é impossível não notar que se vive mal nas ruas de Salvador.



Um ponto mais a Norte de Salvador que vale muito a pena visitar e é resultado de um projeto ecológico fantástico é o Projeto Tamar. É uma reserva na praia do Forte que nasceu nos anos 70 com um projeto socioambiental no sul do Brasil e está espalhada atualmente pela costa. Para além de tratar das Tartarugas marinhas e desenvolver a desova evitando a caça ilegal o projeto também pretende ajudar as comunidades, incentivando jovens a ingressar em estudos como biologia marinha e outras áreas relacionadas ao projeto.



Dicas de restaurantes temos o restaurante Poró (em Santo António Além do Carmo) e o Restaurante Donana em Brotas onde comi uma Moqueca das melhores da minha vida!



Claro que não podia deixar de visitar alguns shoppings (Salvador é cheio deles) e um dos que mais me impressionou foi o Salvador Shopping. É um shopping novo com uma praça de alimentação das melhores que já vi e vale muito a pena para quem gostas deste negócio de "trocas comerciais". Aqui vai uma foto minha com o Jorge Amado na loja da Lego.


Ficaram por ver o Museu de Arte Moderna da Bahia (dizem que tem um pôr do sol magnífico) mas estava fechado por questões de pandemia quando lá fomos e a fundação Casa de Jorge Amado (localizado na praça do Pelourinho que é hoje patrimônio da humanidade da UNESCO) também fechada por esses motivos.
É uma cidade que precisa de bastantes reformas mas que vale a pena visitar, e quem sabe um dia passar um Carnaval.


Deixamos as fitinhas com desejos de boa sorte na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim da Bahia!

Prometo mais escritas em breve.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Post #85 Os meus 10 conselhos para passar por fusões e/ou aquisições

Passar por uma fusão e/ou aquisição (mais conhecidas como M&As) não é nada fácil. Eu nunca tinha pensado muito na possibilidade de passar por este tipo de processo, mas se algum dia pensei, achei que iria ser num período mais tardio da carreira. Porém com o trabalho no mercado brasileiro, que parece um turbilhão e está sempre a dar reviravoltas, isto acabou por acontecer mais rápido e intensamente do que eu pensava. Desta conta já lá vão três destes processos! Por isso resolvi compartilhar alguns conselhos que trouxe das minhas experiências (algumas "adversas"!) e que possam, eventualmente, interessar a pessoas que passam ou venham a passar pelos mesmos processos.
1º Não sofra por antecedência. Parece bastante óbvio, mas não é. Nestas andanças de fusões e aquisições aprendi que nem sempre os melhores profissionais (leia-se mais competentes) permanecem nas cadeiras onde estavam ou onde achávamos que deviam estar. Por isso não adianta muito passar horas sem dormir a pensar quem vai ficar neste ou naquele lugar. Estas mudanças ocorrem "teoricamente" para otimizar as empresas, seus resultados e consequentemente os mercados. Melhoram-nos porque nos trazem uma série de problemas para resolver (um leque de situações e reações que jamais pensávamos um dia passar - acreditem!) e com isso crescemos profissionalmente. Mas não necessariamente passamos para um estágio melhor da nossa carreira. Por isso bom mesmo é ficar "antenado" sempre.
2° Tire logo todas as tuas férias!Assim que decorram informações concretas sobre alterações previstas é bom rever o calendário de férias. Tanto o seu quanto o das pessoas que trabalham na sua equipa. Os tempos de M&A são sempre mais atribulados do que o normal. Entre processos de due diligence, apresentações, reuniões com novas pessoas, demonstrações de antigos e novos procedimentos, etc. etc. torna-se difícil estarmos fora do ambiente de trabalho nestas épocas. Por isso é bom estarmos renovados e com energia para estas fases que são bem desgastantes.
3° Conheça o meio de onde vem. É sempre bom refrescar os princípios da empresa onde trabalhamos antes das M&A's. Também os quadros e as pessoas que fazem parte dela. Assim podemos estar mais aptos a ter a nossa própria opinião sobre as mudanças que puderem acontecer e, eventualmente tomar melhores decisões. Também é bom sabermos bem o que andamos a fazer na nossa função. Conhecermos bem os processos e a nossa equipa é fundamental para estarmos preparados para eventuais mudanças. Nem sempre somos muito "velhos de casa" quando estas alterações acontecem. Nestes casos o melhor mesmo é estudar com mais afinco do que o normal o que temos em mãos.
4º Atualize-se! Como não é possível saber com antecedência o que vai acontecer, é bom rever o CV, LinkedIn e afins. Primeiro, porque normalmente deixamos sempre esse procedimento para as fases de "menor motivação" (ou quando estamos chateados com alguma decisão do chefe!). Segundo, porque normalmente sempre aparecem uns curiosos da empresa parceira para espiar o que andamos a fazer da vida. Por isso nada melhor do que ter as informações atualizadas. E terceiro porque se aparecer algum curioso externo também é bom ter as informações à mão com um nível mínimo de atualização. As oportunidades estão aí todos os dias e aparecem de repente. Nunca se sabe.
5º Converse com pessoas do setor. É bom conversar com pessoas das áreas onde trabalhamos para atualizar informações e discutir as novas tendências do mercado. Nestas fases é ainda mais importante interagirmos com este network. Também não custa nada o esforço.
6º Fale sempre muito com os seus colegas de trabalho. Principalmente se estiver numa função de liderança. As pessoas têm muitos receios nestas fases. Mui tas vezes muito mais receios do que nós próprios. Ou porque têm dependentes que precisam do salário mensal, do plano de saúde, porque estão a pagar estudos, porque têm medo de ficar sem trabalhar, enfim... npossibilidades que só quem passa por elas o sabe. Então tentar estar mais próximo das equipas sem o exagero de estar sempre a tocar no assunto é uma boa forma de diminuir a ansiedade de ambas as partes. Compartilhar as informações que não forem confidenciais também é bom. Sem medo de fofoca, sem mentiras e com profissionalismo acima de tudo. As pessoas gostam sempre de saber ou o que se passa, ou simplesmente que sejamos honestos e avisemos que não sabemos do que se passa! É exponencialmente mais difícil passar por processos de M&A quando as lideranças são fracas (garanto!).
7º Mantenha uma boa relação com fornecedores. Os fornecedores são muitas vezes uma das partes interessadas mais penalizada destes processos. Há sempre muitos interesses em jogo. Às vezes somos obrigados a deixar de trabalhar com um fornecedor, muitas vezes contra a nossa vontade, e a trabalhar com outras empresas que nem consideramos tão boas. E o rompimento às vezes é doloroso. Mas como a vida dá voltas (muitas mesmo!), é impossível dizermos "adeus" a este ou àquele fornecedor. O mesmo conselho dou a fornecedores. Às vezes levam demasiado a peito estas operações. Que jogue a primeira pedra quem nunca teve que voltar atrás para chamar alguma empresa que já dispensou antes!
8º Escolha as suas relações profissionais. Aproveite para descobrir quem mais admira profissionalmente, esta é uma boa fase para isso. Tive várias decepções e surpresas nestes processos. Não corte com pessoas que já lhe fizeram bem profissionalmente só porque tiveram que tomar alguma decisão mais drástica com você ou com alguém por quem você tem algum respeito profissional/pessoal. Entenda primeiro se foi uma decisão pessoal ou imposta e depois tire as suas conclusões. É difícil mas é possível...
9º Não deixe de focar no cliente. Apesar de todas as andanças que se passam nos bastidores, os clientes, sejam eles de qual setor forem (da indústria ao varejo), são sempre aqueles que não devem ser penalizados. Afinal, eles são fieis e estão ali para receber não menos do que a qualidade anterior que já era entregue. E são eles, na linha final da conta, que pagam o nosso salário.
10º Por fim, se tiver oportunidade, entenda a cultura da nova empresa. Sempre achei que devemos trabalhar para alguém e por alguma coisa que nos faça brilhar os olhos. Quando sofremos alterações na maneira de trabalhar ou de tomar as decisões nem sempre estamos alinhados com essa maneira de trabalhar. É quase como crença ou partido político. Acreditamos nesta ou naquela maneira de trabalhar e pronto! Logicamente temos que ser flexíveis para estarmos prontos para mudanças, mas não precisamos de atropelar os nossos princípios. Numa das minhas passagens por aquisição a mudança foi da "água para o vinho". Eu simplesmente não me identificava com a maneira de trabalhar da nova empresa. Para mim foi mais fácil para decidir que a nova fase da empresa poria fim ao meu ciclo por ali. O que quero dizer é que se isso lhe fizer sofrer e se tiver a possibilidade (sem desculpas e sem preguiças!) parta para o próximo desafio. Tenho certeza que será mais feliz e fará mais feliz as pessoas à sua volta. Se não tiver essa oportunidade e for daqueles que simplesmente não vão fazer parte da empresa nova reveja os 9 conselhos acima e vá à procura de alguma coisa que o faça feliz. Às vezes um empurrão é tudo o que é preciso para dar o passo na direção certa.

domingo, 22 de setembro de 2019

Post #84 Nacimento de uma empresa (SET/19)

O mundo dos negócios é muito dinâmico, basta passar alguns anos no mundo corporativo para se entender do que estou a falar. Por estes anos que tenho colecionado já passei por algumas transições, bastantes altos e baixos. Desta última vez estou a passar pelo nascimento de uma empresa.

Ora o nascimeto de uma empresa tem muito que se lhe diga. Há empresas que nascem da garagem de casa, empresas que nascem dentro de outras empresas, empresas que nascem entre dois familiares, etc. etc. Esta etapa pela qual passo agora é o nascimento de uma empresa através da fusão entre duas outras empresas. Também neste "modelo" existem vários tipos de possibilidades, mas geralmente quando são duas empresas que viram uma só, sempre temos uma que se sobrepõe à outra.

Hoje, no processo pelo qual passo, estamos num período bastante inicial no que toca a alterações. Elas começam a aparecer devagarinho e depois vêm com uma velocidade que nem conseguimos perceber. Normalmente vamos entender só muito depois quando a poeira acalma. Temos sempre esperança que não nos afetem de uma forma muito impactante, mas pelo pouco que já passei, na maioria das vezes não temos grande escolha. É difícil dizer que por ser um bom profissional a pessoa vai dar-se bem. Nem sempre o melhor prevalece quando temos uma cadeira para duas pessoas. O interessante é aprender a não sofrer com essa troca (de novo, nem sempre justa). Para esta etapa ajudam as pessoas do bem que vamos conhecendo. Ajudam muito.

Já passei por aquisição, venda e fusão será a primeira. Desta vez faço parte da empresa "mais fraca" dentro do negócio. Este tipo de movimentações é sempre muito sofrida no que toca a pessoas. As empresa tentam ser evoluídas (as que tentam!) para causar impactos menores na vida das pessoas, mas as mudanças são inevitáveis, e infelizmente não existe uma diretriz que obrigue as empresas a ajudar nas recolocações das pessoas que não se encaixam nos desenhos. É um mundo cão!

São muitas as histórias que ficam para trás com o fim de um ciclo assim. No mundo de shoppings as pessoas rodam muito dentro dos empreendimentos e de uma para outra empresa. Por isso acabamos por conhecer muita gente se "estivermos a fim de fazê-lo" como se diz por aqui. E que recompensa que é guardar e ter os bons do nosso lado.

Daria para escrever um livro sobre a empresa que fica para trás. A SSB foi uma escola e uma grande rampa de lançamento dos negócios portugueses no estrangeiro. Fazer parte dessa história é um orgulho imenso pelo qual uma "singular" como eu pode passar. A minha vinda para o Brasil foi totalmente transparente e inesperada, fruto de uma vontade imensa de ser independente e feliz. Deixei muitas coisas importantes para trás. Aqui tive algumas oportunidades muito boas, perdi algumas também, mas me tornei na profissional de hoje muito devido aos anos que por aqui passei (maioria da minha vida profissional). Nas idas e vindas conheci muitas pessoas. Conheci pessoas más, não tenho medo de escrever. Muitos profissionais ruins que no fundo me ajudaram a direcionar o meu caminho para o que eu não quero ser. Conheci profissionais incríveis que me direcionaram para o que eu realmente quero que seja a minha singela marca pelo planeta Terra. Esses tento manter junto comigo para a vida. Ouvi muitas histórias e vivi também muitas na pele. E como tem histórias para contar. Queria escrever todas! Quantas horas de aeroporto, quantos bastidores de shoppings, quantos acidentes de percurso, quantas pessoas! Fui de Rio Grande a Manaus nessa "brincadeira" de shopping. Quantas horas mal dormidas para fazer entregas que só me beneficiaram no aprendizado, porque no fundo no bolso não me trouxeram lá grande benefício. O mundo do verejo era-me totalmente desconhecido. A minha família não tinha histórico de negociantes, mas estudei e aprendi. Pelo menos um bocadinho dessa arte que espero usar e abusar daqui para a frente.

O futuro é incerto sem dúvida. Nasceu uma nova companhia, diz-se que a maior de shoppings do Brasil. Usamos agora a hashtag #juntossomosmais.
Uma nova fase se prepara e que tenha todo o brilho que teve a anterior. Aguardamos cenas dos próximos episódios que podem clarificar um pouco dos próximos passos que terei que dar.

Mari
 

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Post #83 - Desabafos dos 33

17/4/19 faço a idade de Cristo. 
Diz a maioria das pessoas que esta é a flor da idade, mas já ouço isso desde que me lembro de fazer aniversário. Todas as fases são. A adolescência é porque é a fase das descobertas, a maioridade porque (teoricamente) ganhamos juízo... e por aí vai. 
Mais ou menos entre os 20 e os 30 vamos tomando com muitas soluções que a vida nos dá e que não contavamos. Não contavamos mesmo! Não sabíamos que eram assim determinadas coisas... não sabíamos como as outras pessoas superavam determinadas coisas e ficavamos indignados com mutas coisas. Mas quando chegamos ao patamar dos cerca de 33 (para muitos certamente será mais cedo e para outros mais tarde), já temos uma certa maturidade. Afinal as pessoas mais velhas já começam a olhar para nós com cara de adulto. Ainda há um ou outro que não nos levam tão a sério e dizem coisas como: "ó... ela ainda é muito nova", ou "ui, ainda vai apanhar muito na vida". Mas depois lá entendem que temos mais de 30 e afinal de contas isso já é uma “idadezinha” razoável. Até nós entendemos que: 1, realmente temos muito a aprender com os mais velhos e 2, já temos algumas coisas a ensinar aos mais novos. Isso é uma epifania ótima. Sentimo-nos realmente valorizados quando as pessoas nos buscam para pedir conselhos ou indicações!
Os 33 parece que são só mais uma destas fases da flor da idade. São um fase de deixar a luta para trás mas ao mesmo tempo continuá-la de uma forma mais inteligente. Uma fase em que já não queremos determinadas coisas mas ao mesmo tempo ainda temos forças para lutar desesperadamente por outras (agora aparentemente mais certas). Ainda temos alguma coisa de revolucionários, mas já não é aquela garra e goela desalmada. Já pensamos estrategicamente no que  dizemos sem o dizermos estupidamente da boca para fora. Já conseguimos filtrar algumas coisas e empatizar com muitas situações ou pessoas, porque afinal de contas já estivemos lá... nessa situação difícil. Já temos histórias para contar. Antes (não sei precisar quanto tempo antes) ouvíamos muito mais do que o que contávamos. Agora temos as nossas próprias. Ou porque a família cresceu, ou porque viajamos, alguns de nós até emigraram! Conseguimos até competir com algumas histórias dos mais anciãos. Já tivemos algumas perdas também... antes isso era só para os mais “velhos”. Já conhecemos melhor o nosso corpo e os limites... sabemos com 100% de certeza que o tornozelo vai doer depois daquela aula x do ginásio. Sabemos que a pressão baixa junto com calor e secura corre mal. Sabemos melhor o que queremos comer, o que PODEMOS comer! Sabemos exatamente o ponto da carne que mais gostamos e claro, quando a comida está demasiado salgada o que nos vai obrigar a levantar a meio da noite para beber água. Sabemos que não estamos para ouvir desaforos. Trabalhamos, estudamos e ralamos para estar onde estamos e isso nenhum doutor ou outro cargo mais especial nos tira. 
Por outro lado, ainda não sabemos muita coisa. Será que com 33 anos dá para sabermos se estamos onde devíamos estar? Com “teoricamente” uma vida pela frente não há como tirar conclusões precipitadas! Muitos até acham que sabem, mas a vida vai passando algumas rasteiras e vamos nos desviando do que à partida seria o rumo que teríamos. Não que isso seja bom ou mau. Por causa dessas voltas todas que o mundo dá, também não sabemos o quanto tempo as pessoas de quem gostamos ou com quem queremos estar vão estar próximas. Aproveitamos BEM melhor pequenos momentos, inclusive os domingos de preguiça, tão raros nestes dias. 
Sabemos, isso sim, dar mais valor a quem lutou por nós e ainda luta, e dar menos valor a por quem a gente lutou e não teve sucesso. 
Ora os 33 fazem-me pensar que daqui para a frente só pode ser melhor. Tem que ser melhor pelos relatos. Ainda há tanta coisa para ver, sentir e viver...
E que estes 33 eles cheguem com a mesma vontade que muitos dos anos anteriores chegaram. Que tragam muita sabedoria e que venham mostrar que nos próximos poderei compartilhar que estava errada em muitas coisas e que pude melhorar. Que estava certa em algumas também para não parecer mal e depois virem dizer que não sabia nada da vida com 33!!!
Fiquem para os próximos. 



Mari

domingo, 16 de dezembro de 2018

Post #82 - Paris oh la la

Dizem que o Natal é quando um Homem quiser. Pois bem, o Natal deste ano foi antecipado. Este ano as festas começaram no meio de Novembro, quando tive a oportunidade de fazer uma visitinha a Paris e encontrar a família!

Paris é a cidade das luzes. Dizem que é a cidade do romance, mas nas minhas experiências Paris tem um gostinho de família. Foi o meu primeiro longo destino (e pelos vistos deu sorte, porque se multiplicou bem!), e que looonga que essa viagem foi. Temos boas histórias daí. Bastantes horas de carro. Foi a minha primeira ida à Disney! Foi o meu primeiro destino do inter-rail! (daqui também boas histórias -> saber mais aqui!!)

Desta vez representou o meu Natal de 2018. E que bom que foi. Apesar do frio, para o qual os meus ossos definitivamente não foram criados, tivemos muita sorte com o tempo e conseguimos passear muito a pé. Fomos aos lugares mais clássicos e pudemos usufruir daquele tempinho em família, com direito desde as discusões às risadas.

Deixo algumas fotos para registar os momentos bons! E que se multipliquem para 2019!

Da série, as Marias em Paris...


 As Marias das Galerias Lafayette

 
 As Marias no centro Pompidou - Artistas desde sempre!


 As Marias a segurar a Maria mais júnior com um ataque de necessidade de descanso


 As Marias na NotreDame

 As Marias sendo Marias...(a cuidar das rugas!)


 Agora foto de grupo


 Mais uma clássica...




  Fotos dos casais de serviço



 Foto dos emigrantes de serviço... emigrante sempre em busca das melhores fotos, não interessa o momento ou o meio da rua em manifestação!


 Falando em manifestação... apanhamosos campos elíseos vestidos de amarelo com os giletes jeunes que andavam por todo o lado a reclamar dos impostos. No fim das contas o mundo é igual em todo o lado...






Passeando por France!




Fora de Paris: Mers le bains e Le Treport


 Fora de Paris:Compiègne - a futura terra de trabalho da Maria João... acho que se vai dar bem!





 Marias + bagetes no Castelo de Pierrefonds




E assim fica mais um Natal em família registado! Que venham muito assim, em Dezembro ou noutro mês qualquer!

Prometo mais histórias em breve. 2019 está aí e os planos para 2019 são arrojados.

Mari.

sábado, 1 de setembro de 2018

Post #81 - Casa é casa

Estes últimos meses têm sido de mudança permanente. Ainda com medo de deixar o conforto de São Paulo acabei por arrastar a minha estadia na Vila Uberabinha (bairro de São Paulo que me acolheu por mais de 5 anos) até ao final de Setembro. É difícil sairmos da zona de conforto, mas trabalhar e crescer é preciso. 

Com tantas idas e vindas para Campinas fui levando todos os "acumulados" que tinha, até que finalmente hoje ficaram só os móveis. Como juntamos tanta tralha em tão pouco tempo é uma pergunta que continuo a fazer a mim mesma vezes sem conta e sem resposta! Aquele bilhetinho que recebemos no aniversário, o talher de plástico que sobrou do voo, a revista que ainda não acabamos de ler toda, as calças que juramos que um dia ainda vão servir, etc. etc.

O certo é que quando mudamos de casa deitamos uma série de coisas fora e prometemos que nunca mais vamos guardar coisas inúteis. É tipo um ritual. Mas no fundo voltamos sempre ao mesmo. Estou convencida que isso de guardarmos mais ou menos coisas é coisa dos nossos genes. Por mais experiência em mudanças que tenhamos a capacidade de juntar lixeira vem connosco. O aprendizado acontece (obviamente), pelas minhas contas já mudei umas dez vezes de casa, por isso não há como não aprender. Mas no fundo é uma capacidade inata que uns têm mais e outros têm menos.

Uma das coisas que ainda não me acostumei por terras brasileiras é que casa é literalmente "casa" e apartamento é literalmente "apartamento". Os brasileiros não dizem "a minha casa" de boca cheia como nós portugueses dizemos, mesmo quando moramos em apartamento. Eles aqui dizem o "meu apartamento". A não ser na expressão "passa em casa" que para eles significa o "passa "lá" em casa". De resto, casa é casa: com portão, garagem, sótão e telhado. Apartamento é sempre andar em cima de andar com acesso vertical.
Acho que existe um certo romantismo português em chamar de "casa", aquele lugar que levamos para a vida como o melhor onde já moramos (normalmente a "casa" dos pais, onde a comida fresquinha, roupa lavada e internet à borla são tão banais).

Por isso no meu caso mudei para o apartamento de Campinas e não para uma nova "casa" em campinas. Ainda estou na fase de me ambientar aos novos ares mais interiores e nada parecidos com São Paulo. Por Campinas a vida é mais pacata, mas o trabalho não é menos intenso. Os quilómetros rodados diariamente no shopping de 1Km de extensão são vários. Mas o shopping é uma micro cidade e traz com ele todas as coisas boas e coisas más de uma "mini civilização". É divertido.

Despeço-me com algumas saudades de "casa".

M


terça-feira, 31 de julho de 2018

Post #80 - Chiley! + Easter Island

Ainda não tinha tido tempo para fazer este registo tão importante que foram as férias com os meus velhos aqui por terras da América do Sul. Com esta coisa de campeonato do mundo percebi que existem lugares onde estive que não me lembro de muita coisa. A Rússia é um desses lugares. Estive lá há 13 anos atrás... (nunca pensei escrever isto!) 13 anos!
Percebi também que escrever sobre esses lugares, pricipalmente quando as memórias são fresquinhas, pode ser um ótimo remédio para esta sensação estranha que é ver o tempo passar e as lembranças ficarem apagadas.

Por isso, e como não quero mesmo deixar passar esta memória, resolvi escrever sobre a minha última aventura ao Chile. Daqui também já deixar algumas dicas para os mais interessados, e até para mim... quem sabe possa ser útil no futuro.

O Chile foi um projeto que surgiu já há alguns anos. Claro que, estando eu aqui nas Américas não podeia passar sem conhecer. Ainda faltam outros projetos como Ushuaia, Cartagena, etc. mas Chile estava nos planos logo que vim para o Brasil.
Foi melhor do que eu pensava, porque fizemos uma trip em família, e embora tenham faltado os outros dois membros, pode dizer-se que foi bem completo. 

Então aqui vai o Roteiro com algumas informações. 

Saímos de São Paulo para Santiago, onde ficaríamos só de passagem. Deu só para ver uma peça de Teatro do Gordo (Jô Soares -  A noite de 16 de Janeiro) e que me deu um bocadinho de sono!

Já na chegada ao Chile, tivemos a impressão de que o país é diferente dos outros da América do Sul. Mais limpo mais organizado, mas também com pessoas menos sorridentes (essa é uma impressão que tenho desde que conheci o Brasil... acho que o meu padrão mudou!).
Saímos logo na manhã seguinte, já que o voo para Calama, no norte do Chile saiu cedo. Já na saída do aeroporto percebemos que a realidade aqui era outra. Cidade mineira, seca para xuxu e só com casas baixas. Além disso marcada por planícies e um céu azul de invejar. 
Apanhamos a van com o nosso guia Cristobal e seguimos para SanPedro do Atacama. A viagem dura mais ou menos uma hora mas a vista já enche os olhos. as montanhas à volta e os vulcões transmitem uma paz incomparável.
No primeiro dia depois de deixarmos as coisas no hotel resolvemos apostar num restaurante chamado Yara (uma tasquinha que não figurava em nenhuma das listas ou guias). Ótima escolha. Numa transversal de uma das ruas principais de Atacama (simples, barato e bom!) claro está ficamos clientes. 

O nosso programa noturno do Atacama ficou marcado pela explicação de astronomia onde conseguimos aprender um pouco sobre as constelações, e as ligações com os signos do zodíaco!

O segundo dia ficou marcado pelos Los petroglifos de hierbas buenas, um lugar que eu tenho as minhas dúvidas sobre a antiguidade pregada pelos locais dadas as condições áridas, mas enfim. Ainda fomos ao vale do arco íris, Vale de Marte (que todos chamam de vale da Morte) e Vale da Lua.

O terceiro dia foi um caminho por estrada (até bastante boa) onde fomos parando em alguns povoados. Primeiro em  Toconao (torre e praça). Paramos no famoso Salar do Atacama para ver a Lagoa Chacha e flamingos. Ainda acho que o salar do lado da Bolívia é bem mais interessante, pelo menos em relação ao sal! Passamos num outro povoado chamado Socairo  que tinha só uma igreja. Aqui foi só mesmo descer do carro para fazer umas fotos e seguir montanha acima até às lagunas Altiplanicas, um dos pontos altos da visita a meu ver.
As lagunas são um lugar místico. Muito frio mas com um solzão que dá uma cor azul ao céu incomparável. Visitamos duas a Laguna Miscanti e a Laguna Miniques. As imagens valem mais do que as palavras.








Na descida paramos em Socairo almoço  e depois resto do dia por San Pedro para vermos a mini cidade e descanso. Embora não tenha havido baixas, bater os 5000m de altitude cansa um bocadinho.

O último dia foi marcado pela ida ao Salar de Tara, Geysers de Tatio e ao Pueblo Machuca. Foram só 11 graus negativos, e posso dizer que acho que nunca tive tanto frio na vida... juro que pensei que ia perder os dedos dos pés! Ainda havia corajosos a tomar banho nas águas termais #loucos!




E Atacama foi assim! Uma agradável surpresa da qual só fico com pena por não conhecer o ALMA, um projeto entre as organizações mais famosas dos vários continentes que se juntaram num dos lugares mais áridos do mundo para instalar um dos maiores observatórios do espaço do mundo. Mas quem sabe para a próxima.



Santiago 
Em Santiago, fizemos uma visita rápida mas eficaz. É uma cidade bastante histórica e pela qual sempre nutri alguma curiosidade principalmente desde que comecei a ler a Isabel Allende e também sobre o mito da morte de Salvador. Felizmente tivemos um guia com bastantes histórias (filho de uma ex-exilada política) e que nos deu uma boa pincelada sobre a vida em Santiago.
Visitamos alguns lugares como o Parque Bicentenário, a Alonso de Cordoba (rua das compras), Morro Santa Lúcia, Las Tarria (vida boémia), Casa da Moeda (um clássico da história mundial!) e almoçamos marisco no Mercado municipal.








No fim da tarde, e como não podia deixar de ser vimos uns shoppingzinhos só para não perder o hábito! Um deles está localizado no maior arranha-céus da America Latina - o Sky Costanera e o outro é um mega empreendimento com muita classe do qual trouxe algumas ideias chamado Costanera Mall (um dos mais conhecidos por estas bandas também).


Vale paraíso  e Vina del Mar
Saimos cedinho de rumamos à costa. fizemos uma paragem rápida na curiosa estação de serviço Rio Tinto onde se vendem vinhos de todos os tipos. Muitos brasileiros curiosos a comprar. Para nós nem tanta surpresa. Afinal de contas vimos da terra dos vinhos.
Fizemos uma paragem a pé pelas ruas boémias de Vale Paraíso onde visitamos a casa de Pablo Neruda (outro grande nome histórico que levamos desta visita) e demos uma olhada nas artes de rua que por lá estão estampadas.





O almoço já foi do lado de Vina del Mar no clássico Castillo del Mar, onde até a final da Taça de Portugal conseguimos ver um pedacinho (não é todos os dias que se vê o Rio Ave levantar a taça contra o Sporting!).
Passamos rapidamente por Praia del Mar, mas também não nos impressionou porque as nossas costas portuguesas são tudo o que se pode ter de bom!




Ilha da Páscoa

Nem eu pensei que fosse tão rápido escrever sobre a ilha da Páscoa. A vida às vezes tem destas surpresas boas!

Dia1
Vou fazer em lista porque os nomes são tão complexos que não dão para decorar.
Orongo - lugar do grande ritual do povo RapaNui (significa ilha grande), aqueles polinésios daquela época lá do Séc. X ao XVI - diz se por aí) que enviava os jovens ao mar para ir buscar o ovo. É uma vila cerimonial entre a cratera de um vulcão e um precipício. Lá se realizava a cerimônia do Homem Pássaro, em que os guerreiros mais fortes saltavam ao mar e nadavam até uma ilha em busca do primeiro ovo dos manatus (manutara - uma ave migratória).

Ao lado do Rano Kau (vulcão) também um dos lugares mais top de toda a visita (ver foto abaixo que diz tudo).
Almoço: TATAKU VAVE RESTAURANT (achamos bom, mas nem tanto!) Provamos a cerveja Rapa Nui... digamos que neste ponto os ancestrais evoluiram bem!
Ahu akivi, local dos sete moais e primeiro grande contato com as estátuas! É realmente impressionante como estas coisas vieram aqui parar! Há registo de cerca de mil estátuas que representam pessoas importantes das famílias RapaNui, mas que ninguém sabe muito bem como foram esculpidas e como foram colocadas onde estão, embora a maioria já tenha sido restaurada.

Puna pau (lugar de "produção" dos PUKAO) queles chapeuzinhos (que são cabelos) que já poucos moais possuem!

Huri a Urenga (mais uma estatueta gigante).

Dia2
Demos uma volta "integralmente" à ilha. Fomos a AKAHANA (ver cenissa compactada - pedra dos moais) e povoado com restos de casas da época. 
Vimos ainda Ranor Raraku (vulcão), Te Pito cura (maior moai existente tombado) e Praia de Anakena, das mais bonitas que já vi!
Ahu Tongariki o maior número restaurado de Moais em pé. Dizia o guia Cesar que o tio dele tinha colocado um pukao da noite para o dia num dos moais mesmo sem a autorização dos engenheiros responsáveis. se é verdade ou não só Deus sabe, mas que nos valeu umas boas risadas.

As fotos deixo aqui para deixar clara a beleza do local que segundo reza a lenda só foi descoberto em 1722 pelos colonos holandeses. Hoje a ilha é parte integrante do Chile (uma província), e vive mediante as regras do país. Tem pouquíssimos habitantes (4000) e é perceptível a briga "política" do povo RapaNui para com os continentais, já que as tradições e hábitos parecem ser bem diferentes. Mas é um dos lugares mais queridos por todos os turistas do mundo, pela misticidade, e realmente tem uma energia muito louca este lugar! Recomendo!


 chegada trinufal a Hanga Roa capital da ilha!


 Orongo

Peixinho básico do pacífico!

 O primeiro Moai não se esquece!

 




Ahu Tongariki - impressionante!

 brincadeiras em cemitério de moais-  Rano Raraku !

 Uma das praias do meu top! Anakena

 Despedida em grande com o nosso guia e descendente do rei RapaNui - Cesar!


E pronto. Deixo registado. Prometo mais para as próximas mas agora há que trabalhar. E não tem sido pouco o trabalho do qual espero também escrever um dia destes. Tem sido um mega desafio trabalhar no maior shopping da companhia do mundo... mas isso deixamos para as próximas páginas!