terça-feira, 31 de julho de 2018

Post #80 - Chiley! + Easter Island

Ainda não tinha tido tempo para fazer este registo tão importante que foram as férias com os meus velhos aqui por terras da América do Sul. Com esta coisa de campeonato do mundo percebi que existem lugares onde estive que não me lembro de muita coisa. A Rússia é um desses lugares. Estive lá há 13 anos atrás... (nunca pensei escrever isto!) 13 anos!
Percebi também que escrever sobre esses lugares, pricipalmente quando as memórias são fresquinhas, pode ser um ótimo remédio para esta sensação estranha que é ver o tempo passar e as lembranças ficarem apagadas.

Por isso, e como não quero mesmo deixar passar esta memória, resolvi escrever sobre a minha última aventura ao Chile. Daqui também já deixar algumas dicas para os mais interessados, e até para mim... quem sabe possa ser útil no futuro.

O Chile foi um projeto que surgiu já há alguns anos. Claro que, estando eu aqui nas Américas não podeia passar sem conhecer. Ainda faltam outros projetos como Ushuaia, Cartagena, etc. mas Chile estava nos planos logo que vim para o Brasil.
Foi melhor do que eu pensava, porque fizemos uma trip em família, e embora tenham faltado os outros dois membros, pode dizer-se que foi bem completo. 

Então aqui vai o Roteiro com algumas informações. 

Saímos de São Paulo para Santiago, onde ficaríamos só de passagem. Deu só para ver uma peça de Teatro do Gordo (Jô Soares -  A noite de 16 de Janeiro) e que me deu um bocadinho de sono!

Já na chegada ao Chile, tivemos a impressão de que o país é diferente dos outros da América do Sul. Mais limpo mais organizado, mas também com pessoas menos sorridentes (essa é uma impressão que tenho desde que conheci o Brasil... acho que o meu padrão mudou!).
Saímos logo na manhã seguinte, já que o voo para Calama, no norte do Chile saiu cedo. Já na saída do aeroporto percebemos que a realidade aqui era outra. Cidade mineira, seca para xuxu e só com casas baixas. Além disso marcada por planícies e um céu azul de invejar. 
Apanhamos a van com o nosso guia Cristobal e seguimos para SanPedro do Atacama. A viagem dura mais ou menos uma hora mas a vista já enche os olhos. as montanhas à volta e os vulcões transmitem uma paz incomparável.
No primeiro dia depois de deixarmos as coisas no hotel resolvemos apostar num restaurante chamado Yara (uma tasquinha que não figurava em nenhuma das listas ou guias). Ótima escolha. Numa transversal de uma das ruas principais de Atacama (simples, barato e bom!) claro está ficamos clientes. 

O nosso programa noturno do Atacama ficou marcado pela explicação de astronomia onde conseguimos aprender um pouco sobre as constelações, e as ligações com os signos do zodíaco!

O segundo dia ficou marcado pelos Los petroglifos de hierbas buenas, um lugar que eu tenho as minhas dúvidas sobre a antiguidade pregada pelos locais dadas as condições áridas, mas enfim. Ainda fomos ao vale do arco íris, Vale de Marte (que todos chamam de vale da Morte) e Vale da Lua.

O terceiro dia foi um caminho por estrada (até bastante boa) onde fomos parando em alguns povoados. Primeiro em  Toconao (torre e praça). Paramos no famoso Salar do Atacama para ver a Lagoa Chacha e flamingos. Ainda acho que o salar do lado da Bolívia é bem mais interessante, pelo menos em relação ao sal! Passamos num outro povoado chamado Socairo  que tinha só uma igreja. Aqui foi só mesmo descer do carro para fazer umas fotos e seguir montanha acima até às lagunas Altiplanicas, um dos pontos altos da visita a meu ver.
As lagunas são um lugar místico. Muito frio mas com um solzão que dá uma cor azul ao céu incomparável. Visitamos duas a Laguna Miscanti e a Laguna Miniques. As imagens valem mais do que as palavras.








Na descida paramos em Socairo almoço  e depois resto do dia por San Pedro para vermos a mini cidade e descanso. Embora não tenha havido baixas, bater os 5000m de altitude cansa um bocadinho.

O último dia foi marcado pela ida ao Salar de Tara, Geysers de Tatio e ao Pueblo Machuca. Foram só 11 graus negativos, e posso dizer que acho que nunca tive tanto frio na vida... juro que pensei que ia perder os dedos dos pés! Ainda havia corajosos a tomar banho nas águas termais #loucos!




E Atacama foi assim! Uma agradável surpresa da qual só fico com pena por não conhecer o ALMA, um projeto entre as organizações mais famosas dos vários continentes que se juntaram num dos lugares mais áridos do mundo para instalar um dos maiores observatórios do espaço do mundo. Mas quem sabe para a próxima.



Santiago 
Em Santiago, fizemos uma visita rápida mas eficaz. É uma cidade bastante histórica e pela qual sempre nutri alguma curiosidade principalmente desde que comecei a ler a Isabel Allende e também sobre o mito da morte de Salvador. Felizmente tivemos um guia com bastantes histórias (filho de uma ex-exilada política) e que nos deu uma boa pincelada sobre a vida em Santiago.
Visitamos alguns lugares como o Parque Bicentenário, a Alonso de Cordoba (rua das compras), Morro Santa Lúcia, Las Tarria (vida boémia), Casa da Moeda (um clássico da história mundial!) e almoçamos marisco no Mercado municipal.








No fim da tarde, e como não podia deixar de ser vimos uns shoppingzinhos só para não perder o hábito! Um deles está localizado no maior arranha-céus da America Latina - o Sky Costanera e o outro é um mega empreendimento com muita classe do qual trouxe algumas ideias chamado Costanera Mall (um dos mais conhecidos por estas bandas também).


Vale paraíso  e Vina del Mar
Saimos cedinho de rumamos à costa. fizemos uma paragem rápida na curiosa estação de serviço Rio Tinto onde se vendem vinhos de todos os tipos. Muitos brasileiros curiosos a comprar. Para nós nem tanta surpresa. Afinal de contas vimos da terra dos vinhos.
Fizemos uma paragem a pé pelas ruas boémias de Vale Paraíso onde visitamos a casa de Pablo Neruda (outro grande nome histórico que levamos desta visita) e demos uma olhada nas artes de rua que por lá estão estampadas.





O almoço já foi do lado de Vina del Mar no clássico Castillo del Mar, onde até a final da Taça de Portugal conseguimos ver um pedacinho (não é todos os dias que se vê o Rio Ave levantar a taça contra o Sporting!).
Passamos rapidamente por Praia del Mar, mas também não nos impressionou porque as nossas costas portuguesas são tudo o que se pode ter de bom!




Ilha da Páscoa

Nem eu pensei que fosse tão rápido escrever sobre a ilha da Páscoa. A vida às vezes tem destas surpresas boas!

Dia1
Vou fazer em lista porque os nomes são tão complexos que não dão para decorar.
Orongo - lugar do grande ritual do povo RapaNui (significa ilha grande), aqueles polinésios daquela época lá do Séc. X ao XVI - diz se por aí) que enviava os jovens ao mar para ir buscar o ovo. É uma vila cerimonial entre a cratera de um vulcão e um precipício. Lá se realizava a cerimônia do Homem Pássaro, em que os guerreiros mais fortes saltavam ao mar e nadavam até uma ilha em busca do primeiro ovo dos manatus (manutara - uma ave migratória).

Ao lado do Rano Kau (vulcão) também um dos lugares mais top de toda a visita (ver foto abaixo que diz tudo).
Almoço: TATAKU VAVE RESTAURANT (achamos bom, mas nem tanto!) Provamos a cerveja Rapa Nui... digamos que neste ponto os ancestrais evoluiram bem!
Ahu akivi, local dos sete moais e primeiro grande contato com as estátuas! É realmente impressionante como estas coisas vieram aqui parar! Há registo de cerca de mil estátuas que representam pessoas importantes das famílias RapaNui, mas que ninguém sabe muito bem como foram esculpidas e como foram colocadas onde estão, embora a maioria já tenha sido restaurada.

Puna pau (lugar de "produção" dos PUKAO) queles chapeuzinhos (que são cabelos) que já poucos moais possuem!

Huri a Urenga (mais uma estatueta gigante).

Dia2
Demos uma volta "integralmente" à ilha. Fomos a AKAHANA (ver cenissa compactada - pedra dos moais) e povoado com restos de casas da época. 
Vimos ainda Ranor Raraku (vulcão), Te Pito cura (maior moai existente tombado) e Praia de Anakena, das mais bonitas que já vi!
Ahu Tongariki o maior número restaurado de Moais em pé. Dizia o guia Cesar que o tio dele tinha colocado um pukao da noite para o dia num dos moais mesmo sem a autorização dos engenheiros responsáveis. se é verdade ou não só Deus sabe, mas que nos valeu umas boas risadas.

As fotos deixo aqui para deixar clara a beleza do local que segundo reza a lenda só foi descoberto em 1722 pelos colonos holandeses. Hoje a ilha é parte integrante do Chile (uma província), e vive mediante as regras do país. Tem pouquíssimos habitantes (4000) e é perceptível a briga "política" do povo RapaNui para com os continentais, já que as tradições e hábitos parecem ser bem diferentes. Mas é um dos lugares mais queridos por todos os turistas do mundo, pela misticidade, e realmente tem uma energia muito louca este lugar! Recomendo!


 chegada trinufal a Hanga Roa capital da ilha!


 Orongo

Peixinho básico do pacífico!

 O primeiro Moai não se esquece!

 




Ahu Tongariki - impressionante!

 brincadeiras em cemitério de moais-  Rano Raraku !

 Uma das praias do meu top! Anakena

 Despedida em grande com o nosso guia e descendente do rei RapaNui - Cesar!


E pronto. Deixo registado. Prometo mais para as próximas mas agora há que trabalhar. E não tem sido pouco o trabalho do qual espero também escrever um dia destes. Tem sido um mega desafio trabalhar no maior shopping da companhia do mundo... mas isso deixamos para as próximas páginas!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Post #79 - Sertão

Dizem que a palavra Sertão vem das aventuras dos portugueses durante os descobrimentos... parece que quando chegaram a terras do nordeste Brasileiro, os portugas chamavam-lhe "desertão". Anos passados transformou-se em Sertão.
Nesta encruzilhada da vida de shopping, tive a oportunidade de conhecer um pedacinho do Sertão, nas margens de um dos rios mais fantásticos que já conheci: o gigante rio São Francisco.

A minha aventura de Sertão começou com uma visita técnica a shopping numa cidadezinha chamada Petrolina. Chamou-me a atenção uma das lojas do shopping, chamada de GlobalWine Portugal, que, obviamente vendia vinho. É uma marca portuguesa que possui várias vinícolas em Portugal e, para meu espanto, também aqui em Pernambuco. Resolvi ir visitar a vinícola!

O fim de semana ameaçava chuva (coisa raríssima aqui por terras de Sertão!), mas no final não foi e a região fez jus à sua fama de quente! 

A Visita na Vinícola de Santa Maria é mágica. Ela localiza-se em Lagoa Grande, que fica a uns 30 km de Petrolina. A visita começa com uma ida aos campos de vinhas, onde podemos perceber que a produção já foi implementada de uma forma bastante profissional. São 120 hectares onde há dois ciclos anuais de colheita de uva, pois a estação do ano é induzida através de técnicas de irrigação (coisa desenvolvida pra xuxu!).
Podem provar-se as uvas, mas não são lá grande coisa, pois são exclusivas de produção de vinho e não de mesa como estamos habituados. Aqui são produzidos vários tipos de uva. Para ser mais precisa:
Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês, Tempranillo, Arinto, Viognier, Moscato Canelli, Chenin Blanc

Os tugas compraram o terreno, erradicaram todas as uvas de mesa e plantaram esta vasta amostra de uvas para produção. Trouxeram também as melhores técnicas e fartaram-se de estudar como fazer os enxertos do plantio por aqui... porque realmente o clima é beeeem diferente do Douro. Deram-se bem e desde 2003 vêm crescendo na produção de vinho. Atualmente são 2 milhões de garrafas por ano e que estão a ser vendidas no mercado interno. Como para já ainda há muitas vendas nacionais, ficam-se por cá, mas acho que em breve estarão a vender para fora.

Há um passeio de barco associado à visita, de uma hora nas águas do Rio, onde podemos tomar banho. De um lado a Bahia e do outro Pernambuco. Aqui eu acabei por ficar só a ver os restantes visitantes do barco (com muita inveja!), pois estava sem bikini, mas acho que no final foi até bom, porque um dos visitantes foi mordido por um "suposto peixe" (que todos achamos ser piranha, embora a tripulação negasse a pés juntos que não havia piranhas naquelas águas!).

Conheci umas pessoas bem simpáticas e acabei por fazer amizade com uma família com uma história de vida bem louca e que me fez pensar no quanto agradecidos devemos ser. Tinham dois filhos que ambos sofriam de uma doença genética rara. Moraram por um tempo em Petrolina e a menina nasceu aqui. Estavam de visita para mostrar à menina a terra dela, pois passaram anos "internados" em hospitais com as crianças até descobrirem a doença. Depois de muito buscarem acharam um doador de medula na Califórnia (português!) e outro no Brasil. Tinham acabado de passar por todo o processo e finalmente podiam ter umas férias descansadas com os pequenos que tinha recentemente recuperado das dificuldades físicas. Que história!

Abaixo deixo algumas fotos e espero que consigam um dia visitar estas terras quentes e cheias de energia do Sertão!

Prometo novas histórias em breve.





 
 O sol não permitiu melhor cara


Como não amar esta maravilha deste Rio? #RioSãoFrancisco

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Post #78 - Histórias para levar de 2017

Nunca é fácil escrevermos sobre nós, mas achei que 2017 valia o esforço. Meu último dia do ano no Brasil. Foi um ano atípico. 2017 foi o ano do zero a zero. 

Cada ano que passa me convenço mais que cada um de nós é um colecionador de histórias. Algumas histórias levamos de outras pessoas, quando nos tocam profundamente, mas são raras! São essencialmente as nossas próprias histórias que constroem a nossa verdadeira essência.  

2017 foi um ano de batalhas ao extremo. De ter que provar muita coisa, tanto para mim mesma, como para os outros. Tive que provar a mim mesma que uma vez mais era capaz de superar o desemprego (e que dejavu!). Como se isso não fosse difícil por si só, ainda tive que provar para os outros, que umas pedras no caminho não me iam fazer desistir ou voltar "com o rabinho entre as pernas" como se diz por terras lusas. Fácil? "Facinho" (como se diz por aqui) não foi, mas a gente segura. Mas o que fazer quando a família de lá insiste e nós sentimos que não é o tempo? Dói desde o coração até à alma! 
Isto de provar para nós já é difícil, mas provar para os outros traz um desgaste danado!
Posso dizer que estou exausta!

Em 2017 tive que iniciar o meu percurso profissional quase do zero. A porta se abriu e, nem sei bem porquê, achei que devia entrar por aí... Comecei por baixo com a cabeça erguida. Iniciei atividades num lugar onde, mais uma vez, eu não tinha histórico, era apenas uma estrangeira, mulher, em idade de procriar... a trabalhar em operações! Dureza em países latinos hein?
Foi trabalho de formiguinha. Evolução lenta e dura.

Em 2017 fiz um ano de graduação inteiro e trabalhei ao mesmo tempo. Viajei, a trabalho e a lazer (pouco), e regressei a um shopping o qual já tinha 100% enterrado no meu passado profissional. E que aventura...(essa fica para outros capítulos).

Em 2017 passei por histórias de vida incríveis. Superação de doença. Desgostos que eu mesma acharia insuperáveis. Pessoas que vieram do nada e viraram o tudo.

Pessoas. Não há histórias sem elas. Com o tempo, vamos classificando as pessoas por quem passamos como heróis ou vilões da nossa própria história. Os personagens são como no StarWars, umas vezes achamos que estão no lado bom da força, e às vezes olha... o "dark side"! Muitos desses "Vaders" já topamos à distância e de uma maneira ou de outra vamos tentando nos proteger. Duro é ter que ver o dark side de alguém que temos 100% certeza que achamos do bem. Também teve disso esse ano. Mais do mesmo, porque somos feitos de carne e osso e sempre criamos expectativas. Sabe aquela dor do coração até à alma? Pois é...

2017 foi um ano de investimento pesado. Implementação de rotina. Trabalho, estudo, trabalho, esforço, estudo, contenção, contenção, contenção. Foco. Observação. E muita, mas muita reflexão. Tentativa de olhar para o futuro e com todas as forças esperar que seja mais brando, para não dizer melhor!

Teve coisas boas em 2017. Em 2017 nasceram seres humanos  que me trouxeram (acho agora) as maiores alegrias do ano. Quem não se emociona ao ver uma pessoa de quem gostamos muito, passar, pelo que dizem ser a maior felicidade da vida de um Homem? Orgulho e admiração dos meus amigos que, pela primeira vez mamãs e papás, podem dizer que 2017 foi um ano em grande nas vidas deles. E como ser humano que sou, tenho que admitir que dá muita vontade, de uma forma ou de outra, de tocar essa felicidade.

Em 2017 casei dois grandes amigos. Em 2017 enterramos um dos homens mais interessantes que Portugal já teve (Belmiro). E devíamos ter enterrado uns quantos no Brasil, mas parece que não...

De 2017 levo dois lugares que vão de certeza ficar na memória. Totalmente opostos, por sinal. Aimorés e PaloAlto. A fazenda do interiorzão, que recupera água de nascentes e luta contra desmatamento, e o lugar mais desenvolvido do planeta. Quanta informação para processar! Mais reflexão!

Agora que está a chegar ao fim, vejo 2017 como um ano de reflexão. De alguns episódios mais trágicos, já consigo rir. De outros (que ainda não o entendo muito bem), nem tanto. Mas como diz a minha mãe, o tempo é um grande remédio (notem que a pessoa é médica!). Levo de 2017 a certeza de que, pelo menos, me trouxe (mais) histórias.

Os dedos estão cruzados para 2018!

Desejando a todos os que perderam uns minutos a saber do meu 2017, um 2018 cheio de energias positivas e muitas histórias para colecionar, porque somos todos feitos delas.
#feliz2018 


 Aimorés

 João Pessoa! Praia de nudismo e os dias de praia mais chuvosos de sempre!

 Westfield! Shopping! Observação!


 Stanford Classmates - seres humanos top!

 Sampa Classmates (dias de esforço!) - seres humanos muito top!

"Picturing" Golden Gate - Olhando para o futuro.
Enquadramento é tudo nesta vida!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Post #77 - A morte de um smartphone

Quando é que podemos passar a declaração de óbito do nosso telefone pessoal?
Esta é uma questão que me tem vindo a atormentar. Já há algum tempo que o meu telefone tem dado sinais de que a sua saúde não está boa. De vez em quando trava e dá sinais de que o "coração" não está muito bom. Nessas alturas levo-o lá à Av. Paulista ao "hospital" dos eletrónicos, troco a bateria e faço o checkup e normalmente ele aguenta-se mais uns tempos. Mas ultimamente as coisas não correram muito bem e depois do último acidente de queda ele está às portas da morte. Então resolvi refletir sobre os alguns anos que passamos juntos!

Foi um bom telefone. "Nasceu" em Maio de 2013, depois de um "rapto" do equipamento anterior (Welcome to Brazil!). Nasceu de barriga de aluguer, e foi encomendado via Estados Unidos (mais ou menos como o filho do Cristiano Ronaldo!), de onde veio à boleia na mala de uma amiga. Logo que chegou a terras brasileiras começou a trabalhar a todo o vapor. Acompanhou-me por toda a parte. Com ele senti-me mais perto de casa todos os dias, fosse via FaceTime, e-mail e todas as redes sociais possíveis.
Com ele fiz mais quilómetros do que (pelas minhas contas) em todo resto da vida. Atravessei da América do Sul à Asia, fiz várias ligações transatlânticas. Ele apanhou chuva, esteve na praia, e ainda fez emissões de todos os países por onde a minha família andou.
Com ele registei todas as coisas boas pelas quais passei. Os casamentos, os nascimentos, até as que não consegui registar ele deixou-me ver. Seja pela janela do Facebook ou Instagram, os quais consumiram grande parte dos meus dados e uma parcela dos meus salários também!), seja pelo Whatsapp, onde giraram centenas de milhares de bytes. Dei os parabéns aos meus amigos mais longínquos, e não só a esses mas também aos que moravam comigo. Salvou-me de boas, principalmente quando me esqueci das chaves de casa! Dei e recebi boas e más notícias. Chorei frente a ele. Troquei mensagens queridas, enviei mensagens das quais me arrependi e aguardei por mensagens que nunca chegaram. Também pus muitos pontos no i's.

Este pequeno aparelho também registou a maioria dos meus passos. Deixou-me feliz quando bati records de passos diários ou km de bike! Pude tirar muitas notas, fiz listas de supermercados, li milhares de páginas de livros. Deu-me alguns sustos, principalmente quando no último ano me mostrava a conta bancária! Perdeu-se num táxi quando voltava de um casamento e foi cair a um quarto de hotel de uns desconhecidos. Felizmente eram boas pessoas e devolveram-mo assim que se aperceberam.

Este útimo fim de semana ele caíu e começou a dar as últimas ao som de Marisa Monte. Acho que foi um bom fim, embora eu tivesse esperança que ele pudesse viver mais um pouco. Mas uma morte digna pelo menos.
Felizmente hoje existe uma nuvem, então todas as nossas lembranças ficam guardadas. Não é como antigamente em que andavamos de amigo em amigo, a recolher os contactos perdido (quem nunca!?). O próximo vai de certeza absorver todo o conhecimento que este trouxe e vai trazer ainda mais algum. Essa é a vantagem da tecnologia não é? Nunca sofrerá de Alzheimer.

Muitos podem achar estas palavras capitalistas e de loucura nesta época de geração Y! Parece que ganhamos apreço a bens materiais e tecnologia. Mas não acho nada disso. Vejo este aparelho como uma ponte, uma ferramenta que me ajudou a estar mais próximo das pessoas, acompanhar tendências, e, no fundo, acho que isso nos deixa mais felizes. É nesta altura que entram os antigos e aversos à tecnologia para dizer que no passado é que era bom... mas isso é só para quem não provou o futuro e as suas vantagens certo?

Próximas linhas serão concerteza escritas com base em notas de um outro aparelho. Não sei quando vão acabar os smartphones, mas que dão um jeitaço, lá isso dão!

*Mari
P.S. escrito em Português de Portugal (estou a tentar não me esquecer e conseguir sempre destinguir as duas versões do idioma).


domingo, 1 de outubro de 2017

Post #76 - independências à parte

Nós os Portugueses nunca fomos muito com a cara dos Espanhóis. Eu nem sei porquê, porque a era da dinastia Filipina já foi há tanto tempo, que já nem nos devíamos lembrar. Mas o que é certo é que o provérbio prosperou e continua na boca de muitos portugueses até hoje: "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento!". Mas acho que é um defeito não só ibérico, porque brasileiros e argentinos sofrem do mesmo mal, e lá no fundo até se amam. 

O fato é que somos cada vez mais uma mistura de Portunhol. Portugueses e Espanhóis entraram de mãos dadas para a "CEE", abriram-se as fronteiras, misturaram-se as universidades, abriram empresas ibéricas (cuja identidade nem é de um lado nem do outro), não são raros os casos dos casais ibéricos! Os roteiros turísticos misturaram-se de tal modo que às vezes me perguntam se Santiago de Compostela é Portugal (!). A Ryanair nem se fala... a maioria das vezes que atravesso o Atlântico "entro em Portugal" por Madrid (que diga-se de passagem é bem mais barato!). E mesmo a Espanha sendo uma monarquia, mesmo que democrática, é bem diferente de Portugal (graças a Deus!). No final das contas quando precisamos de ajuda somos todos iguais. Fomos cúmplices também durante a crise que abalou os dois países, principalmente na minha faixa etária. Anyway, para o bem ou para o mal, temos um laço inegável.

O que se tem vivido na Catalunha, embora seja uma realidade muito diferente de Portugal, é fisicamente muito próxima dos "tugas". E mesmo eu, estando do outro lado do Atlântico, não posso deixar de me sensibilizar com o que se passa por terras vizinhas.

Desde criança que ouço essa conversa de que a Catalunha é um estado à parte de Espanha. Que lá é o "Mónaco espanhol" e tal... Quando fui a primeira vez a Barcelona, foi de acompanhante da minha mãe que foi a trabalho, e eu ainda era criança a entrar para a adolescência. Lembro-me que já nessa altura, ir a Barcelona era um acontecimento. Parecia que íamos para outro planeta de tanta fama de cosmopolita que tinha a cidade. Embora, nessa altura, eu tivesse mais curiosidade em visitar o estádio olímpico ou até mesmo o museu do Picasso (do qual me lembro bem de ter saído beeem escandalizada com tanto quadro sexual que o homem pintou numa certa época da vida dele!), o fato é que não encontrei uma Espanha diferente do resto do país por onde já tinha passado. Não senti qualquer diferença no modo em que me trataram. Um língua mais complexa talvez. De resto, tudo a mesma coisinha dos galegos, dos bascos, dos madrilenos e por aí fora. Não entendo, ainda hoje, muito bem o porquê dessa rebeldia da região, mas acho que é coisa de Espanhol do Norte, que comparado às outras comunidades, tende a ser mesmo meio rebelde. Fico a pensar o que aconteceria se São Paulo, só porque gera quase 40% dos impostos no Brasil, resolvesse tornar-se independente? O que seria do resto e vasto território brasileiro? Teríamos eleições estaduais por aqui? Mas pode também dever-se ao fato de eu só conhecer a Catalunha como turista e talvez por não estar tão dentro dos meandros da política nacional e das comunidades autónomas como chamam aos estados por lá.

Bom tudo isto para chegar à conclusão que não sei como as comunidades conseguem chegar a este ponto? Em pleno século XXI e numa União Europeia famosa pelo seu progresso em todas as áreas?! Como chegamos ao ponto de mandar a polícia evitar que as pessoas votem? Com imagens de violência como as que apareceram hoje no jornal, com idosos metidos ao barulho? Esta é uma situação preocupante... E acho que é um sinal de alerta para informar que os Espanhóis deixaram de se falar. E pior... seguindo uma tendência meio que global! Nunca houve tanta facilidade de comunicação como hoje em dia, mas parece que a comunicação política está em crise. Os governos (nacionais, estaduais, municipais...) não se falam! Ainda está para vir o dia em que a reunião entre Trump e Kim seja via Twitter: com restrição de carácteres.
Espanha, vamos deixar de brincar de D. Pedro e o seu grito do Ipiranga e começar a dialogar?

Vou deixar aqui abaixo as primeiras perguntas que me surgiram quando vi que o "sim" no tal do plebiscito venceu:

-Será que a Catalunha quer ter um Brexit 2? 
-A praça de Espanha (Barcelona), vai continuar com esse nome? 
-Será que para parar em Girona vamos ter que andar de passaporte em punho? -E no final das contas, expliquem-me lá como é que o Barça vai viver sem enfrentar o Real Madrid?

Brincadeiras à parte é assim que as coisas estão em Espanha de nuestros hermanos...




terça-feira, 22 de agosto de 2017

Post #75 - Summer in California





O que fazer quando os últimos dois anos de vida foram uma grande confusão? Quando não temos respostas sobre os caminhos sinuosos que a vida nos faz atravessar, sobre atravessarmos o Atlântico e nem sabermos bem o porquê.. conquistarmos tantas coisas e nos desiludirmos tanto com tantas outras? 

Fazer uma passagem pelo silicon valley (assim bem de repente) não parece uma ajuda muito significativa, mas no final garanto que pode ajudar a dar um empurrãozinho para tentar entender este sentido da vida que é uma dúvidas de tantos. Uma injeção de ânimo de inovação e conhecimento. Foi o que senti ao passar por Palo Alto e Universidade de Stanford. As ideias rolam e não há limites. Podemos dizer as coisas mais idiotas pois sempre há alguém que escuta o que dizemos de uma perspectiva diferente. Se o mundo replicasse este modelo talvez fossemos mais felizes. 

Conhecer pessoas e tentar absorver as histórias delas, bem como partilhar a nossa é um desafio que nunca pensei ter em stanford. Mas foi o maior. Durante estes dias na Califórnia descobrir que somos feitos da mesma matéria das pessoas que estão por estas bandas (teoricamente as mais inovadoras do mundo!) e isso é realmente muito enriquecedor. Aqui circulam pessoas de todo o mundo que se agarraram aos seus sonhos e vontade de fazer do mundo um cantinho um pouco melhor. Pessoas que acreditam na ciência e na inovação para tentar que a nossa vida seja mais prática e, no final das contas mais feliz.  
 Tive a oportunidade de visitar uma incubadora de novos negócios, onde a Google nasceu (por exemplo), a construção gigante que a Apple vem fazendo com o dinheiro dos nossos iphones (chamam-lhe por aqui de mother ship) e também aprender sobre o futuro das organizações, inteligência artificial e maneiras inteligentes de liderança. 
Além disso, tive a oportunidade de conhecer pessoas com backgrounds muito diferentes. Várias nacionalidades que sonharam e cresceram e com histórias maravilhosas. Teve a Costa riquenha que nos levou de UBER (deixou a vida de agente imobiliária por causa do stress) e fugiu a vida bem difícil que tinha para tentar a vida nos EUA; teve o professor com a doença degenerativa que usa o tempo para "curar" empresas no que ele chama de "hospital das empresas"; vários professores e investigadores estrangeiros que sonharam o "american dream" e vieram com a cara e a coragem para tentar melhorar as vidas humanas com o suor das suas investigações; teve o empresário brasileiro que começou a trabalhar aos 10anos e que deu uma lição de vida à Doutora professora de Stanford porque construiu uma empresa de estufas que hoje faz bastante sucesso no Brasil. E ao explicar um dos desafios profissionais à professora americana (que contou com um tradutor) explicou que uma vez fechou uma sociedade "cara-cu" -ou seja o sócio entrava com a "cara" (leia-se investimento) e ele entrava com o "cu" (leia-se o que se quiser!) imaginem a dificuldade do tradutor para explicar esta expressão tão brasileira! Foi um momento que acho difícil esquecer; teve o Dentista de Salvador que veio à procura de ideias para o negócio e que calhou de contar que queria muito ter filhos e como a mulher não podia e o governo brasileiro não deixava contratou uma barriga de aluguel e tem agora duas filhas gêmeas lindas de 3 anos!(e que história!); teve até a história de uma portuguesa que atravessou o Atlântico para trabalhar no Brasil deixando a família e amigos para trás...(e bateram me palmas e tudo pela coragem... e nem consigo me sentir tão corajosa assim?!). 

Entender em que sentido o mundo está a girar e tentar nos adaptarmos a todas as mudanças rapidamente é difícil. Faz-me chorar muitas vezes. Já me fez "quebrar a cara" bastantes também, quando achei que o rumo era um, mas fui no caminho errado. Mas também me trás uma felicidade imensa quando passo por experiências como esta. 
Foram momentos inesquecíveis e que levo no
coração. Espero que a ciência evolua rápido para que eu possa mesmo gravar estas informações, pois são "data" que não quero esquecer. O blog também ajuda... quem sabe para os netos lerem! Aconselho todos a verem o preço das viagens para a Califórnia. Mas para os que não estiverem tanto na vibe, deixo algumas fotos ilustrativas. 
De São Francisco fica apenas um cheirinho do último dia antes da partida. 
Prometo mais news em breve.