terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Post #57 - O ano novo Chinês - Macaco de fogo


Esta semana entrou o novo ano chinês e também novo ano de vida. Não tem nada a ver com o Carnaval, mas coincidentemente este ano calharam juntos. Como fiquei a trabalhar, e já que aqui pára tudo, resolvi investigar um pouco sobre este tema, porque na mídia internacional não se fala noutra coisa. 

Não sei se sabem a história do Horoscopo Chinês, mas reza mais ou menos assim:

"Buda convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, e a cada um dos animais prometeu uma surpresa. Apenas doze compareceram; a cada um foi atribuído um ano, conforme a hora de chegada: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco.
No fim da festa, os animais fizeram o seu juramento solene perante o buda: cada um deles estaria sempre, por um dia e uma noite, pelo mundo, pregando e convertendo, enquanto os outros onze se empenhariam a pratica o bem em silêncio. 
Assim, graças ao trabalho constante dos animais, os budas garantem uma certa ordem no universo."

Em 8 de Fevereiro iniciou o ano do Macaco de Fogo e vai até 27 de Fevereiro de 2017. É de fogo porque os chineses têm um ciclo no horóscopo que, além dos animais, envolve os 5 elementos (Metal, Água, Terra, Fogo e Madeira). 

Dizem os horóscopos que:
O período regido pelo Macaco de Fogo é de muita sorte, bons fluídos e boas oportunidades a quem planta o bem. O Macaco de Fogo é justo e cumpre o que está traçado na vida das pessoas. Mas só para os puros de coração; o macaco castiga maus sentimentos, como inveja, ambição desenfreada, busca de fama e poder a qualquer custo, avareza... Portanto, nesse ano, cuidado com o que você deseja…

Há ainda novidades para os românticos:
Parece que o Macaco de Fogo traz a reboque o amor verdadeiro. Mas que rebenta com relacionamentos sem fundamento, feitos de ilusões...

A minha viagem para a China estava marcada para o ano passado, mas com vários contratempos resolvi adiar para agora. Que melhor época senão um ano novinho para fazer uma viagem?

Prometo trazer novidades de terras orientais em breve. Espero não morrer de fome entretanto ;)

#happynewmonkeyyear



sábado, 23 de janeiro de 2016

Post #56 - Dia de eleição... Cura política?


Hoje foi dia de ir à urna. Dia de verão com 30 graus a tostar e lá fui eu apanhar o "ônibus" para tentar contribuir para uma decisão de melhoria de um país que já nem sei "a quantas anda"...

A lista de possibilidades é grande... inúmeros independentes com vontade de mudar o país, e alguns independentes mais para dependentes... Fico perdida sem saber onde deixar o "X"... mas a dúvida real é se algum destes candidatos teria mesmo capacidade de uma mudança a fundo. Uma mudança em que finalmente os portugueses deixassem de se queixar e começassem a acreditar num país melhor. 

Fecho os olhos e penso em todas as coisas que li sobre os candidatos, faço uma reza rápida e lá preencho o boletim... 





Não dá para não comparar os dois países. A política brasileira que está mais ridicularizada do que qualquer outra e a portuguesa... no seu ritmo a caminho do descrédito. Às vezes pergunto-me se no fundo também não estamos no mesmo caminho que aqui...

Quem tiver oportunidade veja este vídeo abaixo... Aqui a própria presidente quer armazenar o vento para gerar energia. Usando as palavras dela, o povo brasileiro, que é o mais criativo que eu já vi para estas questões, fez este quase RAP que já vai com milhões de visualizações no YouTube.


O futuro próximo promete mudanças por estas bandas também. Quem sabe mudanças macro... o preço dos transportes voltou a subir e já se ouvem os primeiros reclamantes. Sem contar com os escândalos que rebentam todo o dia no colo de um político diferente. Será que o Brasil tem cura política?

Na minha micro escala, também devo ter novidades em breve. Acredito que estou próximo de virar mais um capitulo da minha história, depois de passar quase 3 anos num shopping com centenas de histórias para contar e com algumas nódoas negras à mistura.

Prometo dar detalhes em breve.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Post #55 - Portugal/Brasil ou Moção de Censura ou "Impeachment"

Por aqui e pelo resto do mundo quando se fala em Brasil só se ouve a palavra Impeachment.  Esta palavra cara não é muito diferente da também igualmente falada expressão: moção de censura.

Ambos processos de destituição, com o mesmo fundamento: falta de confiança! 

Aqui no Brasil o tal do Impeachment é um conceito legislado. Trocar um presidente da República por falta de confiança, após apenas um ano de mandato é uma coisa consideravelmente séria. A dona Dilma continua a dar que falar e não desiste mesmo dessa cadeira conquistada. O problema é que a teimosia ou simplesmente convicção e vontade de fica no poder por ter sido eleita há pouco tempo, estão a deixar o país num estado extremamente instável... não há economia que aguente esta descoberta de tesourinhos, um atrás do outro, cada um com mais zeros associados.  A quantidade de pessoas envolvidas nos escândalos é absurda. Então ninguém mais acredita... "vira bagunça" como se diz por aqui.

Acho que por terras lusas, infelizmente o povo já se habituou. Ou pelo menos o volume de pessoas envolvidas em "trafulhices" é menor... mas nunca fiz a conta à proporção (quiçá me surpreendo!). Mas, diga-se de passagem, a quantidade de zeros que se discutem é significativamente menor quando falamos em escândalos políticos em Portugal ou no Brasil! Os Portugueses trazem um histórico de mais de meia dúzia de anos já em crise. Existem muito mais olhos internacionais a controlar. Que remédio têm os tugas se não se adaptarem! Um ano atrás do outro as pessoas driblam a crise e sonham denovo com o tempo novo das vacas gordas, que no final das contas dificilmente mais existirá. 

Aqui a crise bateu agora à porta. As pessoas acham que é o fim do mundo... mas é tudo uma questão de perspectiva... o 13° continua a cair na conta e também não há cortes nos feriados! As pensões começam a sofrer, mas aqui há tão poucos velhos! Por aqui o desemprego subiu para 8%... e as pessoas já pensam: aqui-de'l-rei que não teremos o que comer! Mal sabem que os lusos andam lá na casa dos 13% e já estivemos pior.

Eu divirto-me nas comparações entre estes dois pedaços de terra tão iguais e tão diferentes. Não existe comparação possível claro está... Um celular topo de gama aqui custa 10 salários mínimos. Em Portugal vai para 1 ou 2 no máximo. Um "chefe" ganha 30 vezes o salário da secretária, pode isto?! Não sei quem está certo ou errado, ou se existe até essa definição, mas que as comparações são surreais... de fato elas são!

Felizmente temos maneiras diferentes de enfrentar a crise. Como já falei por aqui, os brasileiros têm alguma coisa no sangue que os faz esquecer... Pensei na cerveja, mas é alguma coisa mais forte! É algo que os faz virar a página e continuar... eles são o copo meio cheio. Os lusos por sua vez, precisam de digerir os golpes, e demoram um bocadinho mais a sair das urgências (UTI). Só que a recuperação nos cuidados intensivos é forte. (Copo meio vazio). Ainda acho que os lusos saem mais fortes e mais preparados, mas pode ser que seja só um nacionalismozinho falando.

E agora a grande questão por aqui é: até quando lutar pela causa, ou abandonar o barco e dar oportunidade a outros? Enquanto isso... um país a todo vapor.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Post #54 - Em busca de um destino

Este fim de semana tive a curiosidade de ir a uma exposição no SESC Pinheiros de uma artista chamada Chiharu Shiota, uma japonesa que se mudou para a Alemanha e já ganhou diversos premios. É uma exposição bem simples, que consta apenas de 3 obras, mas que me deixou maravilhada e achei por bem partilhar.

A exposição chama-se "Em busca do destino". E que melhor título poderia ter se não este para me chamar à atenção? 

Pois bem vejam o significado das 3 obras, que são todas baseadas em doações das pessoas.

A primeira, e a mais louca de todas na minha opinião, chama-se "Cartas de Agradecimento". Basicamente é uma teia de aranha gigante (350km de lã!!!) feita de 3000 cartas de agradecimento que a artista foi recolhendo. Deixo algumas como exemplo abaixo. E são todas bem curiosas! Perdi mais de uma hora num espaço de uma sala só para ler sobre o que as pessoas agradeciam. Uns a Deus, uns aos filhos, uns aos pais, até há pessoas que agradecem a si mesmas! (Vale a pena ver este vídeo)







A segunda chamada "Acumulação" é uma instalação de malas antigas suspensas. Significa a bagagem que trazemos... e as coisas verdadeiramente importantes que obviamente carregamos connosco sempre. E o que somos nós se não uma acumulação de experiência boas e más? A tão falada "bagagem"? A instalação é feita de malas que a artista recolheu por feiras de antiguidades e afins. As malas são suspensas aqui no SESC em cima das escadas rolantes que dão acesso à alimentação... Ora um lugar bem indicado para que eu pudesse pensar na minha bagagem... entre escadas rolantes de aeroportos e shoppings, quanta bagagem não acumulei?!




E por fim "Além dos continentes", que está bem na moda. vejam-se as manifestações por Paris dos sapatos na Praça da Republica. Neste caso com várias doações de sapatos de diversas pessoas pelo mundo. Sapatos finos, sapatos rústicos, sapatos de criança, alta e baixa sociedade. 



Todos os trabalhos são ligados por linhas, que segundo a autora representam as ligações entre as pessoas e as coisas. 

Bom já falei aqui sobre o SESC e o que penso sobre esta organização. Uma das melhores do mundo. Mais uma supresa. 

#ObrigadaSESC
#MaisBagagem
#FicaaDica


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Post#52- Loucuras de amor. Quem nunca?

Hoje escrevo para contar sobre uma surpresa que resolvi fazer. Como é bom sermos surpreendidos pela positiva. 


Loucuras por amor, quem nunca cometeu que lance a primeira pedra ou que deixe de ler agora, porque estas linhas são  para pessoas apaixonadas. Por qualquer tipo de coisa, por pessoas, animais, entidades,... Enfim... Apaixonadas pela vida.

Estou prestes a entrar num avião para um quase "bate e volta" ao outro lado do Atlântico. Sou emigrante há 3 anos e pico, e já deixei passar muitos acontecimentos com medo do gasto, da responsabilidade e da loucura em si. Desta vez resolvi arriscar... Afinal, não é todos os dias que o nosso pai faz anos ;)

Época difícil para o negócio e as crises estourando, mas se assim não fosse não seria uma loucura. Loucurinhas são ótimas!
As loucuras são mais intensas, mais sofridas, mais tudo. São as verdades que temos que dizer a alguém que sabemos que vai doer, ou por outro lado as mesmas verdades que se omitem para não vermos as pessoas tristes, são as decisões de aceitar os desafios difíceis quando há algo bem mais fácil, é a coragem de partir atrás de alguém que se quer muito, ou ficar para tomar conta daquela pessoa, mesmo quando o futuro parece sorrir num outro lugar. 

Loucuras de amor são essas coisas loucas que tiram o sono, mas que nos dão o brilho nos olhos do dia a dia, e que nos fazem escorrer a lágrima na hora da emoção. São essas loucuras que nos fazem ser felizes e ter vontade de viver o dia seguinte. 
E surpreender alguém por loucura é tão bom ou até melhor do que ser surpreendido. 

#partiuPortugal
#loucuras
#portugalBate&Volta
#aniversarioPapá
#atéjáSampa

sábado, 7 de novembro de 2015

Post#53 - Loucuras de amor (cont.) - "Nunca vi um avião, e é tão grande!"

Ora bem, cheguei ao meu destino. Depois de uma visita curta voltei para o ativo, mas tinha que registar a viagem que fiz pois foi sem dúvida inesperada.

Falei no último post sobre loucuras de amor... achando eu que uma viagem de ida e volta em poucos dias era loucura. Nesta viagem de regresso, tive a impressão que o meu gesto foi menos impactante.

Vejamos...

Estava eu a despachar a mala, quando duas senhoras (visivelmente atrapalhadas), me abordaram perguntando se eu ia para o Brasil. Com certeza que ia... estava no despacho de bagagem que dizia São Paulo! A princípio pensei que me iam pedir para despachar alguma coisa delas. Logo preparei o meu "NÃO", porque nos dias que correm, não dá para confiar em nada, nem mesmo quando as pessoas aparentam ser humildes. Mas na verdade o que queriam era uma ajuda, pois uma delas ia viajar a primeira vez na vida para fora do país, primeira vez de avião... e logo para o Brasil!

Meio desconfiada lá optei por ajudar, mal sabia eu no que me ia meter...

Depois das últimas despedidas (sempre difíceis), e da minha mãe me meter uns xanax no bolso, não fosse a senhora ter algum surto, lá parti para as mil e uma verificações feitas nos aeroportos... eu e a D. Maria de Lurdes, uma senhora nos seus 50 anos que parecia mais assustada que qualquer outra pessoa naquele aeroporto. Passámos o raio X, a verificação do passaporte e chegámos à porta de embarque. Ainda não estava na hora, por isso ficámos sentadas e eu tentei acalmá-la um pouco. Disse-lhe que andar de avião não custava nada, nem à primeira, e que eu já fazia este percurso há 3 anos (grande coisa, pensei só depois!). Ela foi se acalmando e depois olhou pela janela e disse-me assim: "Nunca vi um avião na vida... e é tão grande!". Achei bizarro mas muito honesto da parte dela, não só pela informação em si, mas pela maneira como ela disse aquilo. Então só nesta altura é que estabeleci um carinho pela D. Maria. Daqui para a frente foi só surpresas. 

Descobri que a D. Maria de Lurdes ia passar uns tempos com uma das filhas que vivia há 3 anos no Brasil e que tinha 29 anos como eu. Essa filha viveu 10 anos em Londres onde entretanto conheceu o marido (brasileiro) e mudou-se para Londrina. Recentemente descobriu um tumor cerebral que lhe dá ataques epiléticos e pediu à mãe para vir passar uns tempos cá pois tem uma filhinha de 2 anos. A D. Maria nem pensou duas vezes. Largou  o marido e duas filhas mais novas, bem como a casa na Póvoa de Lanhoso e os campos que cultiva e lançou-se para o Brasil.

Nisto entramos no avião e cada uma foi para a sua cadeira. Foi um voo tranquilo e nem tive contato com ela, pois incumbi o hospedeiro de tratar muito bem dela, já que eu estava na outra ponta do avião.

Após a chegada é que foram elas... 
  • Primeiro: a D. Maria estava a passar na polícia e calhou de dizer que ia ficar 6 mesinhos com a filha... ora como turista o máximo que se pode ficar por aqui são 90 dias e olhe lá... o pessoal da alfândega já não foi nada simpática e assustou a pobre da mulher dizendo que tinha que pagar multa. Lá a acalmei... no final das contas era só regressar a casa mais cedo e ia ter que mudar a viagem.
  • Segundo: a senhora resolveu viajar sem um real na carteira e só os 30€ que teria que trocar em algum banco para pagar ao suposto taxista que a sobrinha tinha contratado pela internet para a ir buscar e levar ao hotel. Claro que esse taxista nunca apareceu! Ficamos duas horas à procura, e ainda escrevi um papel (que até envio em foto abaixo) com o nome da Senhora, para tentamos achar o homem... sem sucesso!
  • Terceiro: tentativa de troca de euros na casa de câmbio... claro que não funcionou, porque simplesmente 30€ era quase o valor da taxa que se paga pelo serviço de conversão. Lá saquei uns reais e troquei-lhe pelos euros.
  • Quarto: tentativa de contacto com a filha... sem saber mexer no telemóvel a D. Maria pediu-me para lhe ligar do telemóvel dela à filha que estava em Portugal para tentarmos achar o contacto desse bendito taxista. Só que a senhora tinha saldo reduzido no telemóvel e não conseguimos grandes informações.
Depois de uns quilómetros queimados no aeroporto, lá a convenci a apanhar o táxi comigo para que eu a deixasse no hotel e simplesmente aceitar o fato de que esse taxista não ia aparecer!
Chegada ao hotel... a reserva que ela trazia impressa do booking e feita pela sobrinha, foi quase impossível de encontrar pela recepção e também não estava paga... ou seja os poucos reais que tinha no bolso, ela teve que investir para deixar meia reserva paga.  A irmã ia chegar no dia seguinte (espero!) para partirem para Londrina e reencontrarem a tão esperada filha da D. Maria.

Pedi para a levarem ao quarto e a ajudarem, porque claramente não ia conseguir enfiar a chave de cartão na porta do quarto e ia se perder totalmente no meio do hotel. Deixei o meu cartão com o telefone e mandei uma mensagem à filha que estava em Portugal para que ela lhe carregasse o telemóvel e lhe ligasse.

Saí do hotel com um nó no coração e pensei que às vezes quando pensamos que a nossa vida é atribulada, vem alguém que nos mostra que é tudo uma questão de perspectivas.
A simplicidade está nos pequenos gestos de coragem. Cada um atravessa o Atlântico com as suas razões... Uns para passar um aniversário importante, outros sem dinheiro nem mínima destreza para tratar da filha doente... 
Agora digam-me... isto não é uma loucura de amor?

(este foi o papel com que corri Guarulhos para ver se encontrava o bendito homem que ia buscar a D. Maria. Sem sucesso, apenas andei distraída por 2 horas a vaguear procurando alguém que provavelmente nem existe!)


Vi esta frase hoje no Pinterest e achei boa para partilhar neste post também :)

sábado, 29 de agosto de 2015

Post #51 - Asilo ou deportação?

Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].
Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].


 e·mi·gran·te
(latim emigrans, -antis)
adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros
Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro.


e·mi·gran·te
(latim emigrans, -antis)

adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros

Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro.
Confrontar: imigrante.

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].
e·mi·gran·te
(latim emigrans, -antis)

adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros

Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro.
Confrontar: imigrante.

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].
Que ou quem emigra ou sai da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro

"emigrante", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/emigrante [consultado em 29-08-2015].

Um assunto da atualidade é a emigração. Não podia deixar de escrever sobre este assunto, não fosse exatamente "eu" o que chamam de caso de estudo.

A minha condição de emigração é bem superior à destas pessoas que ultimamente têm sido barradas de entrar na Europa, quando não mortas a caminho do destino.
A questão é: será que todos não procuramos pela mesma coisa? Paz e estabilidade. Se eu saí de um país, que embora em crise, é um país civilizado, sem acontecimentos bizarros, imagino o quanto eu não gostaria de sair de um país onde queimassem as mulheres infiéis vivas, onde colocassem os vídeos de pessoas a serem mortas no YouTube, onde sair à rua pode significar ser morto... Eu não ia ficar num lugar assim.

O jornal diz-me que este ano a previsão é de 270.000 entradas na Europa até agora. Já foi ultrapassado o número de entradas do ano de 2014 fechado. A média é de 1 imigrante para cada 1.900 europeus. Considerando que a cidade onde cresci tem 40.000 habitantes realmente é preocupante...

É uma questão muito delicada... Sim a Europa prega-se como uma civilização comprometida no abrigo das pessoas refugiadas, e sim a Europa é um dos locais mais estáveis para se viver no mundo, e sim a Europa tem uma política de imigração bastante condescendente. Mas a Europa é obrigada a receber todos? 

Bom, a Europa precisa de gente nova. A população está envelhecida e a população que trabalha tem vindo a diminuir. Esta onda de entrada pode ser uma reversão para este problema. Mas a Europa é constituída por diversos países em que cada um tem as suas leis. Existe uma política comum, e todos têm que cumprir determinadas regras, mas cada país tem alguma liberdade para estabelecer as suas regras também. Por exemplo à Dinamarca esta política não é aplicável e o Reino Unido e Irlanda estabelecem as regras de imigração europeias que querem implementar ou não. É uma grande confusão. Mas enfim mais detalhes no site da união europeia (aqui).

Os estudos (segundo os jornais) dizem que em geral os imigrantes não são as pessoas que cometem mais crimes. Ao contrário. Quando ajudados "pelo sistema" são pessoas que criam empresas, trabalham e geram riqueza. Compreende-se... saem de um local onde são mal tratados e chegam a um local onde querem prosperar. Eu sou suspeita para falar... Mas a Europa terá trabalho. Há que criar estrutura, escolas para compensar o "gap" de conhecimento, ensinar a língua, centros de recuperação psicológica para crianças e adultos que vêm com traumas de serem refugiados etc., etc. Tem também a dificuldade geográfica, pois a maioria dos imigrantes entram pelos países que neste momento não podem acolher nem os próprios quanto mais os outros (Grécia por exemplo). E ainda a preocupação do terrorismo, que tem andado tão na baila... é preciso um trabalho redobrado na segurança.

Claro que este rolo todo só se aplica a emigrantes não europeus, porque para os Europeus a Europa já trabalhou (e muito bem) nas regras fronteiriças com o Acordo de Schengen. É ótimo podermos viajar de Ryanair para todo o lado sem nos pedirem quase nenhuma informação... Mas se formos não europeus a coisa muda de figura. Vistos, identidades e papeladas mil são pedidas. Já assisti a várias cenas em aeroportos, especialmente quando volto para a Europa de férias, em que comigo viajam outras pessoas que não tiveram a mesma sorte de nascer no "berço de ouro".

Da minha experiência nada tenho a reclamar. Sou emigrante na América do Sul. Nunca fui barrada de entrar, mas sempre apanho a fila dos emigrantes na entrada. De vez em quando perguntam-me uma ou outra coisa, mas nada constrangedor. Pago os meus impostos ao país que me acolheu (nem sempre caem nos bolsos certos, mas enfim isso são outras questões), tento ser uma cidadã com exemplo a dar e uso dos conhecimentos "europeus" para tentar ajudar no que me é possível. Modéstia à parte, eu acredito que sou uma boa contribuição para o país que me acolheu. Acho honestamente que muitas das pessoas que estão a tentar entrar na Europa sentirão o mesmo. Simplesmente não tiveram as oportunidades que precisavam no país que as viu nascer. Talvez como eu... É junto expulsar ou deportá-los, ou limitar as suas entradas?

Maioria de todos já "migrou" pelo menos de cidade, à procura de uma condição melhor, estabilidade, trabalho, enfim... Quais os limites? Quais as regras? Difícil...

Aconselho um filme francês que vi há pouco tempo, chama-se SAMBA (https://www.youtube.com/watch?v=i3mHgMsHvUM). É realmente muito bom e deixou-me a pensar nestes assuntos.

Prometo mais notícias em breve.


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Post #50 - o dia da digital



O departamento de estrangeiros da polícia federal é um lugar de grande mistura cultural.  Como não podia deixar de ser ouvem-se mil línguas diferentes e tem lista de espera de uma ponta a outra do planeta. Existem os "facilitadores" (sem conotação negativa) que são contratados pelos próprios estrangeiros e que ajudam um e outro estrangeiro a preencher papéis ou a traduzir informações simples como se a pessoa é solteira ou casada, ou tentam decifrar o endereço. Profissaozinha difícil a de entender os nomes dos japoneses que estão a par comigo na lista de espera e pior que isso gritar a alto e bom som para ver se a pessoa está presente. Alguns dos estrangeiros assustam-se ou fazem cara feia, tentando decifrar se o nome dito é efetivamente o deles. Graças à boa tecnologia, o Gogle translator também tem um papel importante por aqui. Alguns tablets da emigrantada têm uma utilidade fenomenal!  Aqui todos sentam nas mesmas cadeiras empoeiradas. Tem o executivo suíço com a esposa impecavelmente vestida a par com os dois filhos de cabelo praticamente branco de tão loiro. Tem os dois espanhóis que provavelmente estavam sem trabalho e vieram para cá, família da Etiópia que não fala uma palavra de português e a quem estão tentando extrair o endereço de tampávamos... E por aí vai.  O processo é lento... Burocrático. O staff da polícia federal é bem rude e conversa pouco ou nada com os estrangeiros. Eu estranho isso, dada a a natureza dos brasileiros. Mas acredito que seja um local de trabalho tenso.  Ainda troco um olhar com a esposa Suíça que se diverte tal como eu a otimizar mentalmente o processo. Seria tão mais fácil com umas senhas digitais e sem esta dança das cadeiras. Sempre que chamam uma pessoa todas se levantam para andar mais uma cadeira. Ele ri-se para mim também divertida.  "TAKASHI ISHIKAWA... T-A-K-A-S-H-I!!" O nome anuncia que eu sou a próxima. Hora de passar os dedos nas telas digitais... Um por um. Três anos e três meses depois precisamente! Sou mais uma neste bolo misturado de raças por São Paulo! Agora oficialmente residente!Vamos lá sujar os dedos.. Agora não me safo!Até já!